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Medo de avião: eu não nasci para voar!

segunda-feira, janeiro 30, 2012

Medo de avião é muito comum. Tenho diversos amigos que preferem viajar horas, até dias, dentro de um ônibus, só para não levantar voo e pesquisas indicam que este medo atinge pelo menos 45% das pessoas.


Apesar de eu já saber que avião é o meio de transporte mais seguro do mundo, basta passar pelo finger que minhas pernas começam a tremer. Mentira, basta fechar a mala!

Eu nunca tive medo de avião. Muito pelo contrário, eu amava voar! Aeroportos eram, pra mim, sinônimo de felicidade. Mas, de uns tempos pra cá, mais precisamente desde 2008, quando peguei um voo muito sinistro de Porto Alegre (RS) a São Paulo, comecei a sentir pavor. Não aconteceu nada durante a viagem, além das turbulências bem comuns na região do sul do Brasil. Só que eu dormi pesado, pois tinha passado a noite em claro, e tive um pesadelo terrível. Sonhei que as turbinas do avião começavam a pegar fogo e o comandante avisava no microfone que estávamos caindo. Foi tudo tão real e tão assustador que, quando abri os olhos e me vi sentada na poltrona da aeronave, jurei que aquilo realmente estava acontecendo. Cheguei em casa exausta e capotei na segurança da minha cama. Foi então que o mesmo sonho continuou. Passei pelo mesmo pânico do avião caindo... E parece que foi ali, naquele dia, que meu medo começou.

Eu moro perto do aeroporto de Congonhas e tive a infelicidade de ter dois acidentes da TAM pertinho de mim. Quando um acidente acontece no oceano, a caminho da França, ou no meio da mata atlântica, parece que não nos toca tanto quanto um que acontece debaixo do nosso nariz, não é mesmo? Eu vi toda a movimentação dos bombeiros, vi toda a fumaça preta e todo o fogo dos desastres, olhando pela janela da minha casa. E foi mais puxado quando eu soube que a Paulinha, que havia feito teatro comigo, estava naquele voo de 17 de julho de 2007. A sensação do desespero daquele dia me vem à tona sempre que embarco. 

No mesmo ano do meu voo de Porto Alegre, fiz uma péssima viagem com a Ocean Air, do Rio de Janeiro à São Paulo. Deu pane no ar-condicionado e eu, ligeiramente claustrofóbica, entrei em desespero. As comissárias corriam de um lado a outro, com nítidas expressões de assustadas e não explicavam o que estava acontecendo. Até hoje eu acho que não foi só o ar-condicionado, não.

Em 2010, peguei um voo de Vitória (ES) às 11h40 da manhã, que deveria chegar em São Paulo às 13h e pouco. Chovia muito e não havia teto para pouso nem em Guarulhos nem em Viracopos, muito menos em Congonhas. Ficamos horas sobrevoando São Paulo, esperando por uma brecha do tempo. O comandante, então, decidiu pousar em Confins (MG). Já eram mais de 16h quando o piloto decolou rumo à Sampa. Chegamos em Viracopos e ainda tivemos que sobrevoar por mais um tempo. Resumindo, pousamos lá pelas 21h. Foi traumatizante. Eu estava sozinha e não tinha nem com quem dividir minha dor.

Agora você deve estar se perguntando porque estou desabafando neste blog. E eu respondo: porque se você também tem medo de voar poderá, talvez, ficar mais tranquilo ao saber que não é o único. E penso que, ao compartilhar minha solução, talvez eu possa lhe ajudar a ficar mais tranquilo.

Todos esses acontecimentos que narrei acima foram, de certa forma, responsáveis pelo medo que adquiri. Você pode não ter passado por nada parecido, mas é bom que descubra quais os motivos do seu medo, seja ele qual for. Lembre-se: psicólogos ou psiquiatras não são médicos de loucos. São médicos de gente normal, que precisa de ajuda.

Eu não deixo de viajar, de jeito algum. Vou para onde eu quero. Não deixo o medo me dominar. E acredito que essa é a melhor atitude que uma pessoa com medo deve ter: enfrentá-lo. 

Hoje, eu me dopo com Rivotril (numa dosagem diferente para cada voo), obviamente de acordo com as recomendações do meu médico, que diminui minha ansiedade e me deixa bem mais tranquila. Eu choro quando decola, seguro firme no braço da cadeira (ou de quem estiver viajando comigo -- a Ana que o diga!), rezo do começo ao fim da viagem, mas consigo tirar uns cochilos, assistir a um filme em paz, andar pelo corredor e olhar pela janelinha.
Outra coisa que percebi é que o medo aumenta se fico muito tempo sem voar. Quanto mais eu voo, menos medo eu tenho.

Por isso, se você tem o mesmo medo que eu, aceite meu conselho: não deixe de aproveitar o que o mundo tem a oferecer por causa de uma barreira psicológica. Procure um médico, faça um tratamento, encare seu medo e boa viagem!

P.S.: Veja alguns links sobre este assunto, que achei bem interessantes:
Além disso, há um livro (que será o próximo da minha cabeceira) que pode ajudar bastante: "O Mundo do Avião e Tudo o que Você Precisa Saber para Perder o Medo de Voar".

Veja também: Como relaxar no avião

Beijos,

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