Anaheim

Dia 11: O primeiro perrengue (seguido de outros)

quinta-feira, janeiro 05, 2012

Saímos do estacionamento da Disney, em Anaheim (California) e pegamos a I-5 North (Santa Ana Fwy), com destino a Los Angeles. Nós não queríamos viajar à noite, nossos pais pediram para que saíssemos ainda de dia, mas não quisemos perder os shows da Disney e, além do mais, a viagem deveria ser de apenas 30 minutos.

Mas, nos primeiros dois minutos de estrada, começamos a sentir nosso carro trepidar. Em alguns trechos da I-5, o asfalto tem pequenas ondulações para que os carros possam frear com mais facilidade e é até comum que você sinta seu carro tremer um pouco. Mas o nosso estava demais. Ele vibrava tanto que era óbvio que aquilo não era normal. Estávamos com o Sonata (Hyundai) desde Las Vegas e já conhecíamos o carro até que bem. 

Eu sou mais desesperada, a Ana é mais "panos quentes":
- "Ana, pare o carro, pelo amor de Deus!"
- "Calma, Lu... Não é nada"
- "Amiga, sério. Essa merda vai quebrar aqui no meio da rodovia e nós vamos morrer! Pare no acostamento!"
- "Mas não tem acostamento!"
- "Então pare em qualquer lugar!" - eu já estava bem desesperadinha.

Paramos o carro no meio de uma bifurcação e esperamos dois minutos. 
- "Vamos tentar de novo" - disse a Ana. E partimos.
Obviamente, trepidou. E muito!
- "Amiga, ande na direita e pegue a próxima saída! É para a cidade de Buena Park. Vamos ficar lá!" - eu não dirijo, mas sou uma "copilota" muito metida a besta!

A Ana, então, pegou a saída e seguiu até o primeiro posto de gasolina. 


No posto Chevron, rodeadas por pessoas estranhas, ligamos para a Alamo e pedimos um novo carro. Nós sabíamos que tínhamos este direito, afinal, pagamos por todos os seguros que nos ofereceram.
O atendente da Alamo disse que precisaríamos ir até Los Angeles e que, no dia seguinte, nos entregariam outro carro. Não havia nenhuma loja próxima à cidade de Buena Park e eles não poderiam entregar um veículo ali, no meio do nada.

Eu não quis. Falei que não sairia de lá no Sonata por nada nessa vida.
Então a Ana ligou novamente para a Alamo e conseguiu convencer o cara a nos mandar outro carro. O problema é que a loja mais próxima dali era a do LAX (o aeroporto de Los Angeles) e o veículo demoraria de 2 a 3 horas para chegar.
Apesar de estarmos paradas em um lugar bem suspeito, decidimos esperar. Era preferível correr o risco de sermos assaltadas a sofrermos um acidente na estrada? 
Fechamos os vidros, abaixamos bem os bancos para que ninguém percebesse que haviam duas meninas dentro do carro e dormimos.

Acordei assustada com alguém batendo em minha janela. Era o cara do guincho, com o nosso novo carro. Já passava da 1h da manhã quando nosso companheiro de estrada chegou. Nos despedimos do Sonata e demos boas vindas ao Elantra, também da Hyundai.


O Elantra era um pouco menor (ainda assim, grande), com menos espaço no porta-malas e com menos tecnologia no painel que o Sonata, mas tudo bem. A Ana vai falar sobre o aluguel do carro em um post dedicado a este assunto. Nós pagamos pela categoria Compact e a moça da Alamo nos deixou levar um carro da categoria Economy, que era melhor. O Sonata estava na categoria Economy e o Elantra na qual pagamos (Compact). É claro que, quando trocamos de carro, nos deram um da categoria certa. 

Bom, problema resolvido, fomos para Los Angeles.
Havíamos reservado um quarto no Hollywood Historic Hotel, por indicação de um amigo gringo, que disse que um outro amigo brasileiro sempre se hospeda lá quando vai para LA. Pelo visto, esse amigo brasileiro não tem o menor critério.
Assim que entramos, sentimos aquele cheiro de mofo que todo mundo adora (socorro!). O cara da recepção era um gato e uma anta ao mesmo tempo. Ele não conseguia dividir o pagamento do quarto por dois (nós sempre rachamos as despesas do hotel no balcão mesmo), não conseguia passar o cartão no débito e por aí vai...
Quando subimos as escadas que levavam aos quartos e vimos aquele corredor sinistro, nos sentimos no filme O Iluminado. Estávamos tão cansadas que o cheiro e o aspecto velho dali não deveria nos incomodar. Mas incomodou. E muito!

Assim que eu entrei no quarto, comecei a espirrar, tossir, lacrimejar e a sentir minha garganta fechando. Pronto. Tudo que eu precisava naquele momento era ficar doente, né? A sorte é que sou uma pessoa muito prevenida e, como você viu em outro post, levei um zilhão de remédios (que não me fizeram melhorar).
Não íamos procurar outro hotel aquela hora e decidimos ficar por ali até o amanhecer. Quem disse que eu tive coragem de entrar no banheiro? O piso da nossa suíte era todo cheio de ondulações. Certeza que fora remendado após um terremoto qualquer. Fiquei sem tomar banho mesmo. Nem troquei de roupa.

Pedimos um quarto para fumantes e, na hora em que fui acender meu cigarrinho, vi que a janela não parava aberta. Era daquelas que abrem pra cima, de vidro, sabe? Chamei o carinha da recepção e pedi que ele arrumasse a janela pra mim. Sabe o que ele fez? Colocou um papelão para segurar o vidro de cima. E o medo de a janela despencar? Eu estava com medo de tocar nas coisas... Estava bizarro.

A Ana dormiu e eu fiquei no Skype, conversando com outro amigo de Los Angeles, pedindo ajuda para encontrar outro hotel para o dia seguinte. Parecia que nem o Booking.com poderia me ajudar. Eu já não acreditava nas fotos dos hotéis, muito menos nas qualificações dos mesmos. Fiquei acordada até às 5h da manhã, sem coragem de deitar na cama e morrendo de alergia. Só que eu estava esgotada e acabei dormindo. 

Acordamos cedinho para fazer o check-out e dar no pé logo daquele lugar que, de dia, não parecia tão bizarro. Ainda assim, eu não queria ficar ali nem mais um minuto.
Aí, a surpresa:


Da janela do nosso quarto, vimos o sinal de Hollywood e tudo pareceu melhor. 

Pegamos nossas coisas e partimos em busca de um novo hotel. E, se você pensa que foi fácil, está muito enganado. Los Angeles é uma cidade imensa e os hotéis são muito caros. Saiba como foi a procura sem fim, no próximo post.

Beijos,

   


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