Abu Dhabi

Dia 3: Abu Dhabi (EAU) - O city tour do terror (parte 2)

quinta-feira, março 15, 2012

Depois de uma experiência nada agradável na mesquita, como contei no último post, seguimos para conhecer o restante de Abu Dhabi. Passamos pelas avenidas principais e vimos que nada ali é muito diferente de Dubai, a não ser pelo fato de que, como o guia explicou, algumas construções serão maiores e mais caras que em Dubai.

A foto abaixo, à esquerda, era o antigo palácio do governo e está sendo restaurado para ser o hotel mais luxuoso dos Emirados. Estima-se que a suíte básica terá o preço de US$ 5,000 por noite.
No caminho para o centro, comentei com a Lu que eu já não queria continuar na companhia daquele grupo, muito menos daquele guia, e que eu estava disposta a deixá-los lá e voltar para Dubai de táxi. Ficamos na dúvida até chegarmos ao Centro de Herança Cultural dos Emirados Árabes, uma vila que retrata como eram as comunidades na antiguidade na região dos Emirados. Estávamos famintas e precisávamos almoçar, vantagem que já estava inclusa no pacote, então resolvemos esperar e depois voltar.

Antes de entrar, no entanto, eu precisava avisar nosso querido (not) guia sobre a decisão de almoçar e depois ir embora. Ele continuava arredio e falava ao telefone o tempo todo, já que ele constantemente afirmava que ia contar tudo pra mãe dele... ops, que ele ia ligar pro escritório e dizer que nós não queríamos ficar com o grupo. A situação dele piorou quando ele nos ouviu falar o nome do chefe dele, Dennis, várias vezes.

Falei pra ele sobre a situação e ele ficou possesso. Novamente começou a gritar e eu, na hora, pedi pra ele se calar, porque eu não era obrigada a ouvir as malcriações dele. Eu expliquei a nossa decisão e que não voltaríamos atrás, porque ele havia estragado o nosso dia. Cheguei até a falar com o dono da empresa pelo telefone, mas não adiantou. A Lu já estava com dó dele, mas eu não. Me senti desrespeitada e muito mal por sentir raiva de uma cultura que eu deveria ter o maior respeito, mas ele fez parecer que tudo aquilo era uma grande piada, além de me fazer sentir mal por ser uma mulher.

Depois da conversa ao telefone, resolvemos entrar, pois já sabíamos que um táxi até Dubai custaria 150 dirhams e estava dentro do meu orçamento. Apesar de tudo, o vilarejo é bonitinho, com um depósito de sementes de café, um curral com carneiros tratados para fornecer lã, um campo que simula um sistema de irrigação e alguns museus de artesanato local.


A melhor parte do centro fica atrás dele, onde há um parque que é em frente ao mar verdinho do Golfo Pérsico. Ali é um ótimo lugar para relaxar e também para tirar ótimas fotos.


O guia ficava atrás da gente o tempo todo, mas nem demos bola. Como queríamos almoçar, decidimos ir com a van até o centro da cidade com eles. No caminho, ele perguntou se queríamos comer em um restaurante tradicional ou no Hilton. Óbvio que decidimos pela comida tradicional. Chegando à cidade e ele nos levou até um lugarzinho, muito pequeno, onde só haviam duas mesas. As polacas esquisitas, que até então não tinham se pronunciado pra nada, disseram que ali não era um restaurante e elas não comeriam ali. Imagine a nossa cara neste momento? Pois é.

Chegando ao Hilton, fomos até o restaurante e a comida era razoável. Tinha bastante salada, pratos quentes e sobremesas. A água e o refrigerante eram à vontade. O estranho foi não vermos mais as meninas nem o guia. Almoçamos e descemos. Pra nossa surpresa, as polacas do mal estavam sentadas no lobby com o guia, pois não quiseram almoçar. Juro que na hora eu quis cometer um genocídio. Elas não quiseram comer no restaurante do homenzinho, nos obrigaram a ir ao Hilton e não almoçaram? Encerro este relato por aqui pra evitar a gastrite.


Depois deste episódio ridículo, ele perguntou se queríamos ir ao mercado de tâmaras. A Lu e eu dissemos que sim. Chegamos lá e negociamos com os vendedores algumas especialidades de tâmaras pra levar pra casa. Foi bacana e pagamos um preço legal por elas, além de levar as tâmaras envolvidas em chocolate ao leite. O quilo da tâmara saiu por 20 dirhams (R$ 10) e a caixa com 400g de tâmaras no chocolate, por cerca de 25 (R$ 12) dirhams. Uma delícia e vale a pena.


De lá, voltamos direto para Dubai. A volta, graças a Deus, pareceu mais rápida. Chegando ao hotel, pouco se falou e assim terminou o nosso tour.

É complicado dar uma nota para o tour por Abu Dhabi, pois não seremos ignorantes em culpar a cidade. Tivemos um guia bruto, sem jogo de cintura e que colocou sua cultura acima da capacidade de entender que somos de outro país. Não somos obrigadas a entender tudo o que acontece à nossa volta e era papel da empresa dizer tudo o que deveria ser feito ANTES de cometermos gafes.

Foi um dia pesado, com um estresse e desrespeito desnecessários, uma vez que estávamos pagando -- e muito -- pelo serviço que contratamos. Para finalizar a história, enviei um e-mail para o rapaz que negociou os pacotes comigo, relatando todo o ocorrido. Ele foi gentil na resposta e afirmou que nosso guia foi severamente alertado, porém, que ele ainda é o mais requisitado. Fiquei com cara de tacho, mas me prometi que não indicaria o Desert Safari Dubai para ninguém e aqui fica minha experiência.

Para quem quiser tentar, boa sorte.

Até!

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2 comentários

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