Beirute

Dia 4: Beirute (Líbano) - Ah, o Laziz...

terça-feira, março 20, 2012

Depois de nos instalarmos no hotel Mayflower, o recepcionista Mohammed nos levou até o Laziz, um restaurante/café que fica aproximadamente a quatro quadras do hotel, na Hamra Street, "a Oscar Freire de Beirute" (como diz a minha amiga libanesa).
Estava um frio, mas um frio! Assim que entramos no Laziz e sentimos aquele cheirinho de arguile (shisha no Líbano, tá?), aquele clima aconchegante, ambientado por música árabe, nos apaixonamos. Sentamos em um sofazinho e estávamos tão felizes por estar ali que demoramos horas para fazer o pedido. Depois de uma conturbada chegada no país, eu mal podia acreditar que estava no lugar de onde veio toda a minha família. Eu me sentia em casa, mesmo sem conhecer absolutamente nada do Líbano ainda.


Já passava das 11 horas da noite e o Laziz estava quase vazio. Os poucos clientes que restavam, eram homens e todos não paravam de olhar pra gente. Eu achava que era só curiosidade para saber de onde éramos e que idioma estávamos falando, mas com o passar dos dias eu descobri que nós somos o tipo escrito dos libaneses e fazemos o maior sucesso nesse país. 


Quase todo mundo fala inglês no Líbano, mas o segundo idioma oficial do país é o francês. Então todos, todos mesmo, falam árabe e francês. Mas não se preocupe, sempre tem alguém pra entender o que você quer. E foi assim no Laziz. Nem todos os garçons falavam inglês fluente, mas não tivemos nenhum problema de comunicação por lá.
A moeda do Líbano é a Libra Libanesa (LBP ou lb). Mil Libras Libanesas equivalem, oficialmente, a 0,66 Dólares. E não se preocupe em trocar dinheiro nem em ficar fazendo contas. Todos os estabelecimentos aceitam Dólar e todas as contas já vêm com a opção em Dólar pra você. E a cotação é sempre a mesma: 1 Dólar = 1.500 Libras.

Muito bem. O cardápio do Laziz é especializado em comida típica, com um toque mais moderno. Não é a comida tradicionalzona, que vemos nos restaurantes árabes do centro de São Paulo. É a comida, com um "quê" a mais. Como contei no post anterior, eu estava sedenta por um Chich Barak que, pra quem não sabe, é uma sopa de coalhada, com uma espécie de massinha (tipo capeletti) recheada de carne. Sou apaixonada por este prato desde que eu me conheço por gente. Minhas duas avós (por parte de mãe e de pai) sempre fizeram Chich Barak como ninguém e, por isso, este prato me traz tantas recordações.
Não é fácil encontrar Chich Barak nos restaurantes do Líbano porque é um tipo de prato (assim como o charutinho) que as pessoas fazem em casa, não comem na rua.
Quando vi Chich Barak no cardápio do Laziz, quase tive um treco. Salivei só de ler o nome. Mas, antes, pedimos uma saladinha Fatouch, pra abrir o apetite um pouco mais. Hahaha

Com a palavra, Ana, a nossa especialista em temperos:


Então eu provei o Chich Barak...


O Chich Barak do Laziz é completamente diferente de todos que já comi na vida. Não digo que é melhor (desculpa, mas ninguém bate minhas avós), mas é muito bom! Eu só havia comido o prato quente, mas lá é frio. A coalhada tem consistência de coalhada fresca e não de sopa. A massa é folhada e assada, não cozida. O incrível é que tem Snubar em tudo. Essa sementinha, aqui no Brasil, custa uma fortuna (mais de 100 reais o quilo) e, por isso, todo mundo evita de usar. Você encontra nos Kibes e olhe lá. Mas, no Líbano... Snubar em tudo! E é bom demais!
Depois de nos empanturrarmos, ficamos um tempo lá, fumando shisha e papeando com os gaçons. Aí eu me apaixonei definitivamente.
A Ana descreveu o momento com uma expressão, que até virou o meme da viagem: "tá f...!".


Mal sabia eu que esse bonitinho aí, que cantou Wael Kfouri (meu cantor libanês favorito) pra mim, se tornaria uma das melhores recordações da minha viagem.

Ficamos no Laziz até depois de fechar. Os meninos não acharam ruim, não. :P
Voltamos para o hotel, felizes da vida, e dormimos feito dois anjos.

Beijos,

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