Europa

Viajar sozinha: eu gosto

quarta-feira, maio 02, 2012

Enquanto penso de que maneira contar porque gosto de viajar sozinha, começo com uma afirmação: este não é um texto sobre prós e contras, nem sobre convencimento para que você viaje sozinho. Não sou uma especialista nesta modalidade, porém, sou alguém que, muitas vezes, preferiu estar sozinha. Não por não gostar das pessoas, mas porque sempre fui assim, desde menina. Decidir por viagens sem uma companhia, logo, é uma decisão pouquíssimo complicada para mim. Para muitas pessoas pode parecer egocentrismo, esquisitice ou solidão. Para mim é uma questão de personalidade.

Descobri meu apreço por viajar solo na primeira vez que fui à Europa, em 2009. Após vivenciar um acidente muito sério naquele mesmo ano – ficou tudo bem –, uma interessante indenização me possibilitou realizar algo que, honestamente, nunca havia pensado ser possível acontecer na minha vida. Meus pais, na época, em nenhum momento se opuseram à minha decisão de ir só. Obviamente, a pergunta “mas você vai sem ninguém?” rolou, mas nunca em tom de desaprovação ou impedimento. Eles me conheciam o suficiente para saber que eu saberia me virar.

Passei 17 dias sozinha. Foi um período muito feliz e de muitas experiências. Me enrolei com os idiomas, perdi dinheiro e nem sempre tirei a foto perfeita comigo nela. Conheci pessoas legais e tipos muito chatos, mudei de planos umas mil vezes e repeti o restaurante três dias seguidos só para ver o garçom bonito ou para comer o melhor mil folhas da cidade. Também fiquei em silêncio em momentos nos quais eu era a única testemunha e fui a fundo em uma emoção que era só minha. Perdi o olhar apressado e aprendi a improvisar.

Viajar sozinho: tempinho extra com você mesmo. :)
Os mesmos lugares, só que agora, com memórias só suas.
"Mas Ana, não faz falta ter uma pessoa junto?". Faz. John Donne escreveu que nenhum homem é uma ilha e ele está certo. Só não acho que seja necessário estar acompanhado 100% do tempo. Olha, mas nada de depressão, porque viajar sozinho não tem nada a ver com ficar meditando loucamente sobre a vida. A reflexão é natural, afinal, você quebrou totalmente o vínculo com as referências de casa e só trouxe as suas expectativas na mala.

Vamos então a dicas simples que facilitam a sua vida em uma viagem assim: hospede-se em albergues, saia em passeios guiados, aproveite as baladas em grupos (nos albergues sempre têm informação) e não se acanhe. Se você é cara de pau como eu, sair sozinho para uma noitada será tranquilo, no entanto, atenção redobrada. Conheça bem o lugar aonde vai, quais são os bairros que devem ser evitados e como é a cultura, principalmente em países do Oriente Médio, onde não aconselho você, mulher, ir sozinha. Já contamos tudo o que vivemos nas “arábias” e, pelo que viram, foi tranquilo, mas não tenho certeza se faria esta região desacompanhada. 

Planeje-se também muito bem financeiramente pois, obviamente, não terá ninguém para dividir as despesas no primeiro momento. Viajar sozinho é ótimo, mas também pode sair um pouco mais pesado para o seu bolso, caso seu estilo não seja o mochilão. Tive uma experiência um pouco mais cara há pouco tempo, quando fui a Buenos Aires, sozinha, para uma curta viagem. Já tinha ido algumas vezes, curti novos e velhos lugares de outro jeito, e tudo foi especial de novo. Só que mais caro. Vou contar sobre essa experiência em breve.

Com desapego, planejamento e um pouco de cara de pau, sua viagem solo pode ser incrível!
Descobri na Lu uma excelente companheira de viagem e, como ela já contou aqui, somos seres complementares em nossas andanças pelo mundo. No entanto, ela também sabe que eu gosto de me aventurar por aí na companhia de mim mesma, e que esse tempo é importante para mim. Ela sabe também que um dia eu a convenço de que é muito legal viajar sozinho. hahaha

Resumo da ópera: só ou acompanhado, viaje. A sua vida ditará a forma como suas experiências deverão ser vividas. De uma forma ou de outra, o importante é plantar boas experiências para colher excelentes memórias.

E você, já se aventurou por aí sozinho?

Até mais! 

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