Daquelas saudades que não têm cura

quinta-feira, julho 26, 2012


Saudade às vezes tem cura. Às vezes não.

A Ana e eu conhecemos de pertinho a saudade sem cura. Arrisco dizer que este fator até influenciou em nossa aproximação.

Se você acompanhou nossa viagem à Califórnia e a série “Recebendo gringo”, deve ter notado que citamos muitas vezes o nome do Barry Warrick que, inclusive, apareceu em diversas fotos e vídeos aqui no blog.

Conheci a família Warrick em 2008, através de um amigo de Atlanta (o James Andrews), que me apresentou o David Elliott (filho da Dionne Warwick), que me apresentou a Deanna Warrick, sua prima. Ficamos todos super amigos e eu os recebi em todas as visitas que fizeram a São Paulo.

No ano passado, a Deanna nos avisou que a turnê brasileira da diva passaria por Florianópolis, além de São Paulo, Rio de Janeiro e outras cidades. Sugeri à Ana que viajássemos para Floripa para recebê-los. Em agosto de 2011, chegamos em Santa Catarina. Eu e Ana alugamos um carro e, junto com a minha prima Viviane (e seu carro), fomos buscar a gringaiada no hotel para almoçar. 
Assim que chegamos, a Deanna falou que havia trazido o filho dela, que agora trabalhava como técnico de som da Dionne, e perguntou se cabia mais um no carro. Foi neste momento em que conhecemos Barry Warrick, o garoto mais doce do mundo inteiro.

Nós, com o Barry e a Viviane, em Sambaqui (Floripa)
Fomos todos a um restaurante (só para nós), almoçamos, falamos bobagem e demos altas risadas. O Barry estava sentado na ponta oposta da mesa e acabamos não conversando muito. Lembro que, nos primeiros momentos, só trocamos um ou outro sorriso por alguma piada que ele ou o Todd fazia. Mas, na noite seguinte, ficamos todos tomando umas no lobby do hotel e a aproximação foi inevitável. Sabe aquele tipo de gente que cativa de cara? Assim era o Barry. E, a essa altura, já nos entendíamos com o olhar.


Nos adicionamos no Facebook (e em todas as outras redes sociais) e passamos os dias seguintes inteiros nos chats, combinando programas, compartilhando piadas, falando de sonhos, contando histórias do passado e começando, então, uma amizade que seria eterna. 

Na semana seguinte, a família Warrick foi para São Paulo. A Ana e eu fomos buscá-los no hotel e os levamos para um tour em nossa cidade, além de restaurantes e baladas. Nos divertimos horrores com o Barry, que não desgrudou de nós. Nos vimos todos os dias enquanto ele esteve na cidade. Saímos, comemos, choramos de rir. Em uma semana, já dizíamos que éramos best friends forever. De fato. :)

Com Barry, Tony e Todd, no Mercado Municipal (São Paulo)
Ficamos trocando mensagens até que a Ana e eu chegamos em Los Angeles. Ele mostrou-se o melhor anfitrião do mundo. Nos ajudou quando precisamos (lembra do sufoco para encontrarmos um hotel? E da minha crise de alergia?), nos surpreendeu (lembra de nossa primeira visita à Calçada da Fama?) e nos ciceroniou o tempo todo, durante toda a viagem. Não teria sido a mesma coisa sem ele. Na verdade, não teria 10% da graça que teve. 
E, falando em graça, quem ouviu a risada do Barry, sabe do que eu estou falando. Impossível não rir ao lado dele. Sabe aquela risada de bebê, gostosa, que vem da alma, sincera? Se você viu nossos vídeos com ele, sabe.


Quando voltamos para o Brasil e durante todos os meses que seguiram, trocamos mensagens quase que diárias, de textos, de voz e até com fotos do tipo "veja o que estou comendo" ou "veja o que estou fazendo". "Ouvi essa música e lembrei de você" era constante. Ele queria porque queria que eu gostasse de hip-hop. Não vou me esquecer do dia em que passamos a madrugada no alto de um prédio, em Valencia, ouvindo essas músicas, e ele me explicando o sentido de cada uma delas. Aprendi um bocado com este garoto, tão mais novo que eu. 

No começo de maio, em uma de nossas trocas de mensagem, ele disse que não estava bem. Desejei melhoras e pedi que ficasse tranquilo, pois logo logo estaríamos rindo disso tudo. Mal sabia eu que esta era a última mensagem que eu trocaria com ele. No dia seguinte, após uma cirurgia, ele entrou em coma. 
No dia 13 de junho, dia de Santo Antonio, acordei cedo para ir à missa e havia uma mensagem de um amigo nosso, o Renato, dizendo que estava em Los Angeles e soubera que os médicos não tinham mais o que fazer -- e que já poderíamos começar a nos despedir dele. Pedi um milagre. Com o passar dos dias, ele começou a respirar sozinho e até apertou a mão da mãe dele. Sua melhora fora significativa. Estávamos esperançosos. No final do mês, ele já não tinha mais nenhuma infecção e estávamos certos de que ele sairia dessa. Infelizmente, não saiu como gostaríamos. 

Barry, meu BFF, parou de sofrer na madrugada passada. Ainda estou tentando assimilar o que aconteceu com ele. O adeus nunca é fácil. 
Tenho certeza de que o céu está em festa. Já imagino as piadas que o Barry fará por lá. Já imagino as risadas dele em meio aos outros anjinhos. Deus leva as pessoas boas logo, perceberam? Compreensível, Ele os quer por perto. Barry deve ser hoje o anjo mais legal do céu. :)

Nunca, em toda minha vida, conheci uma pessoa tão especial como ele, com o coração maior que o mundo inteiro. Deixa saudade. Muita saudade. Daquelas saudades que não têm cura.

Barry, obrigada por ter cruzado meu caminho e ter me proporcionado momentos tão incríveis. Obrigada pelo carinho, pela amizade e pelos sorrisos que me deu e que me tirou. Obrigada por ser quem você foi.

Descanse em paz, meu amigo querido. Nos veremos um dia. Te amo. Pra sempre.










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Viver não é fácil. Quer dizer, no decorrer da caminhada, desenvolvemos mecanismos pra encarar a vida de uma maneira menos complicada, pra que ela passe menos intensa. Mas, peraí, quem é que quer uma vida assim? Eu é que não sou. Só que essa escolha acarreta em um detalhezinho que não é sempre que a gente curte, que é o sofrimento. 

Admiro quem aprende a ser alguém numa boa, sem passar aperto. Quem são essas pessoas mesmo? Ah, você também não conhece. Ufa, pensei que fosse só eu. Como dizem por aí, “sofrimento não mata, ensina a viver”. Concordo, assino embaixo e levo como mantra. Com os obstáculos vêm o aprendizado, que se reflete em todo o resto, e, principalmente no relacionamento que construí com as pessoas: família, amigos, colegas de trabalho etc. 

Durante esse processo, que teve significativo crescimento após a perda do meu pai, em 2011, me desconectei de pessoas. Algumas, de propósito. Outras, por uma seleção bastante natural. Só que pra toda partida há uma chegada. Aí chegou o Barry Warrick. Um grande menino em todos os sentidos, ursão mesmo, sabe? Parte de uma família de gente famosa, porém, acima de tudo, gente igual a gente. Descobri um tesouro. 

Graças à Lu pude conhecer um núcleo de pessoas tão incrivelmente encantadoras, que se deixam gostar, permitem o contato. Acho que eu mesma nunca fui assim. O Barry foi chegando, devargazinho e, quando percebi, já amava aquele moleque de risada engraçada, pra dentro, que balançava os ombros e fechava os olhos. Aqueles olhos pequenininhos. 


Hoje, dirigindo pela cidade, lembrei de uma coisa: um ano. Só isso, um único ano de relacionamento. Como é possível? Não tenho muito mais a dizer a não ser que esse cara se permitia ser amado. Acho que ele era assim, uma daquelas pessoas que Deus fez com carinho pra se encaixar na história dos outros. Acho que nem o Barry sabia disso. Espero que ele saiba o tanto que eu gostava dele. 

A vida, amigos, a vida. Esqueçam das mesquinharias. Amem, amem muito. Só isso é que vale. Não importa o tempo, não importa o momento. Amem. Te amo, Barry.






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