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Dia 10: Caminho de Santiago (Espanha) - De Salceda a Santiago de Compostela

sábado, julho 18, 2015

No domingo, 7 de junho, acordei empolgadíssima para fazer esta última etapa do Caminho de Santiago, apesar de saber que teríamos que caminhar 29,9 Km.

A última etapa normalmente começa em O Pedrouzo, a 22 Km da Catedral de Santiago de Compostela. Como quisemos adiantar uma etapa, na noite anterior, ficamos em Salceda, que fica 8 Km antes de O Pedrouzo (para entender melhor, veja o mapa ao final do post). 

Como este trecho seria o maior de todos que fizemos, acordamos mais cedo que o normal e deixamos a pensão com o sol nascendo.



Saindo de Salceda, passamos pelos pueblos de Oxen, Ras, A Brea, Rabiña e O Empalme até chegarmos em Santa Irene, após 5,2 Km, onde fizemos nossa primeira pausa. Paramos em um restaurante, tomamos uma Coquinha e continuamos. Decidimos que tomaríamos café da manhã em O Pedrouzo, porque achamos que estávamos perto da cidade. Mas a cidade não chegava nunca.


Andamos mais 3 Km e finalmente vimos algumas construções. Só que, apesar de O Pedrouzo ser uma cidade de verdade, parecia fantasma. Não víamos ninguém pelas ruas e nada estava aberto. Tudo bem que era domingo, mas nem os restaurantes, com o tanto de peregrinos que passam por ali todos os dias? Ademas, já passava das 9h da manhã.

Vi um senhor passando e perguntei se ele sabia onde poderíamos desayunar. Ele indicou um restaurante a uns 200 metros à frente, que tinha acabado de abrir. Finalmente, pudemos comer um bocadillo de presunto y queso (hahaha). Descansamos por uns 20 minutos e seguimos.

Logo depois de O Pedrouzo, no meio do Caminho, encontramos um "memorial" feito por peregrinos, para homenagear seus entes queridos e amigos que faleceram. Deixei ali uma cruz de galhos amarrada com uma fitinha de Nossa Senhora Aparecida, em homenagem ao meu avô e à minha mãe.


Entre Santo Antón e Amenal, pegamos mais um bosque delícia (eu acho que os bosques são os trechos de melhor "piso" para caminhar e sempre ficava feliz ao andar pelas folhinhas) e, depois, começamos a ouvir umas explosões bizarras, que deviam ser de alguma pedreira (?) e que pareciam vindas de uma guerra.


Em Cimadevila, uma pedra esculpida anunciava a nossa entrada no município de Santiago de Compostela, deixando, assim, o Concello de O Pino para trás. 


Logo depois, já avistamos a famosa grade repleta de cruzes deixadas por peregrinos. No vídeo eu falei que faltavam 11 Km, mas me enganei. Faltavam 15 Km para a Catedral (errinho tão pequeno quanto os do Ibope, hahaha). 



A próxima parada que fizemos foi na cidadezinha de San Paio, depois de 8 Km desde O Pedrouzo. Caramba! Nunca tínhamos andado tanto sem nenhuma pausa! Mas não havia mesmo um único restaurante para pararmos. Neste, a dona entendia português e veio conversar com a gente -- e dar dicas de como ir até Fisterra. E, ali em San Paio, encontramos nossos amigos senhorezinhos mais queridos e divertidos de todo o Caminho. Eles:


Bebemos, descansamos, passamos protetor solar e seguimos em frente. O sol estava muito forte e o Caminho começou a ficar bem pesado. A partir dali, só subida (de novo!) e nossos corpos estavam doendo horrores.


Passamos por Lavacolla, Arroio, Vilamaior, TVG, TVE e, em San Marcos (faltando 5,5 Km para Santiago de Compostela), paramos em um acampamento para comer alguma coisa. Mas o pessoal do trailer que vendia hambúrguer foi tão grosso que decidimos não gastar nosso dinheiro ali. Tiramos os sapatos, descansamos por alguns minutos e saímos.

Em Monte do Gozo (4,8 Km para Santiago), paramos para tomar alguma coisa. Estávamos morrendo de fome, mas queríamos comida -- e ali só tinha uma barraquinha vendendo hot dog. No alto do Monte do Gozo, há um monumento em homenagem ao Papa São João Paulo II, construído por uma artista brasileira chamada Condesa Yolanda, por causa da Jornada Mundial da Juventude de 1989 -- quando o Santo Padre levou milhões de jovens para Santiago de Compostela.


Faltava pouco, mas não aguentávamos mais. Já tínhamos feito 25 Km e isso é muita, muita coisa!

Depois de Monte do Gozo, passamos por San Lázaro...


E chegamos na entrada de Santiago de Compostela.


Foi um choque. Não estávamos mais acostumadas às cidades grandes -- e ver aquele monte de carro, aquele monte de gente e aquele monte de casa de verdade (e não de pedra) nos deixou bem desnorteadas.

Santiago de Compostela é enorme e, para chegar à Catedral, é preciso andar muito. Eu e a Cintia estávamos tão cansadas e tão nervosas que acabamos discutindo pouco antes de chegar à igreja. Eu sabia que faltava muito pouco e não queria parar. Quando ela pediu para sentarmos para descansar, falei pra ela me encontrar na Catedral. E segui sozinha.

Quando cheguei ao centro da cidade, dei de cara com o Diego (o namoradinho que eu arrumei no Caminho) saindo de uma loja de souvenirs. Eu estava perdida, não sabia por onde ir e não via mais as setas amarelas do Caminho. Eu também estava nervosa e com as emoções à flor da pele -- por ter discutido com minha amiga e por finalmente ter chegado, depois de tanta dor. Então, Diego me acompanhou até a frente da Catedral.


A fachada da Catedral estava em reforma, mas o importante é chegar. E a emoção foi grande. Muito grande.

Uns dez minutos depois a Cintia chegou. Ficamos os três deitados no chão, apoiados em nossas mochilas, olhando para a Catedral, sem falar nada. Eu e a Cintia só chorávamos. Ficamos ali por quase uma hora.


O que aconteceu depois disso, eu conto no próximo texto. Tem muito babado por vir! :P

Este foi o trecho que fizemos neste domingo, dia 8 de junho, para finalizarmos o nosso Caminho de Santiago:


Não perca o próximo post!
E veja todos os textos do Caminho de Santiago aqui.

Beijos,

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