Espanha

Cuidado com os Bed Bugs!

segunda-feira, agosto 31, 2015

Em minhas buscas por hospedagem no mundo, reparei que sempre há muitas reclamações sobre pulgas e percevejos nas avaliações dos hotéis, albergues e Airbnbs. E esse sempre foi o primeiro motivo que me fez descartar determinado lugar. Aliás, aconselho você a nunca fazer uma reserva sem ler as avaliações dos outros hóspedes, sejam sobre segurança, limpeza, localização ou atendimento. 

Sou uma hóspede um pouco chata. Depois de certa idade, nossas prioridades como viajantes mudam. Quando eu era novinha, me hospedava em qualquer pocilga, sem me importar com nada -- as únicas coisas que pesavam eram o preço e a localização. Hoje eu sou mais crítica. Quero privacidade, quero um banheiro limpinho e quero dormir tranquila. O resto é secundário. Não estou dizendo que busco por luxo, muito pelo contrário, eu sou uma das viajantes mais econômicas que conheço, mas isso não significa que eu seja porca.

Por isso, nunca imaginei que justo eu, que pesquiso tanto antes de fazer uma reserva, seria, um dia, vítima dos malditos percevejos de cama, o famosos bed bugs. Acontece que os bed bugs podem estar em qualquer lugar -- mesmo nos hotéis mais chiques do mundo. Isso porque eles chegam nas malas e roupas de outros turistas e, se ninguém os vê a tempo, essas desgracinhas já criam seus ninhos em qualquer colchão.

Os bed bugs são muito comuns na Europa e nos Estados Unidos (mas dizem que na Europa a situação é pior). Em alguns países, os percevejos já são motivo de grande preocupação das autoridades e o governo norte-americano até já considera a situação uma emergência em saúde pública. Medo.

Pois bem. Passei por pelo menos dez hospedagens diferentes na Espanha e não foi no Caminho de Santiago que tive problemas com o bichinho asqueroso. Foi em Madrid, quando voltei da peregrinação e aluguei um quarto pelo Airbnb.

Eu estava com a Cintia, minha amiga, no mesmo cômodo, mas em camas separadas. No primeiro dia que acordei naquele apartamento, eu já estava me coçando, mas não dei bola. No segundo dia, eu vi algumas picadinhas pelo meu corpo, mas nem me passou pela cabeça que o problema estava no meu colchão. No terceiro dia, a quantidade de picadas tinha aumentado horrores e haviam bolinhas vermelhas e duras por toda a minha pele, inclusive no meu rosto. Achei que fosse algum tipo de aranha que estivesse na minha cama -- e só na minha, porque a Cintia não levou nenhuma picada! -- e avisei o dono do apartamento. Falei pra ele passar algum spray para matar insetos, mas ele, que também não imaginava que eram percevejos, não deu bola.


No meu quarto dia naquele apartamento, fiquei assustada. As bolinhas estavam grandes, coçavam demais e ardiam muito. Meu braço estava um horror e minha barriga, como bem disse a Cintia, parecia uma constelação. Mas como aquele era meu último dia naquele apartamento, que se dane o colchão do rapaz. Mandei uma mensagem pra ele no Airbnb e aconselhei que ele fizesse uma dedetização antes de hospedar outro turista.


Arrumei minha mochila, fazendo uma boa vistoria nas minhas roupas, pra ter a certeza de que eu não estava levando nenhum bicho comigo e me mudei para outro apartamento.

Antes de me instalar na casa do meu amigo, corri para uma farmácia e perguntei se aquelas bolinhas eram realmente picadas de bed bugs ou se eu estava enganada. A farmacêutica não teve dúvidas e disse: "Sim, isso é muito comum aqui na Espanha". Ela, então, me vendeu um remedinho roll-on, chamado Fenistil, que acalma a picada e faz com que ela pare de arder e coçar.


A farmacêutica também me aconselhou a lavar todas as minhas roupas com água quente, mas eu não tinha como fazer isso, primeiro porque não queria ser folgada na casa do meu amigo e segundo porque eu não tinha mais roupas para vestir (eu estava com duas calças e três camisetas). Mas tomei cuidado na casa dele: deixei a mochila bem longe da cama, encostada na porta da varanda do quarto, e conferi de novo roupa por roupa e todas as dobrinhas da mala.

Beleza, mas e aí? O que devemos fazer para nos prevenir dessa praga? Vamos às dicas:

1 - Ao chegar no seu local de hospedagem, seja hotel, albergue ou apartamento alugado, coloque a bagagem bem longe da cama. Se puder, deixe-a no banheiro enquanto você segue os próximos passos;

2 -  Tire tudo o que estiver na cama: lençóis, cobertores, fronhas, colcha... E cheque bem cada pedacinho do colchão, especialmente onde ficam as costuras. Sabe aquela dobrinha que fica na borda do colchão? É lá onde eles ficam escondidos durante o dia (para atacar à noite);

3 - Cheque tudo o que estiver ao redor da cama: o criado-mudo, o abajur, os quadros, a cabeceira... E não se esqueça de fazer uma vistoria nas cortinas e nos rodapés do quarto.

4 - Se você encontrar algum percevejo, ligue imediatamente para a recepção (ou chame o dono da casa) e peça para trocarem o seu colchão ou mudarem você de quarto;

5 - Quando voltar pra casa, esvazie a mala na secadora ou no sol (o percevejo não gosta do calor) e já coloque tudo para lavar (se for com água quente, melhor ainda!).

6 - Se mesmo após seguir todos esses passos, você acabar infestando o seu quarto, passe um vaporizador no colchão. Se você não tiver ou se a infestação for média ou grande (e o vaporizador não der conta), chame uma equipe de profissionais especializados em exterminar este tipo de inseto. Eles usam um jato de CO2 gelado que mata todos os bichinhos. Se a infestação for surreal de grande, eles usam um coquetel de inseticidas potentes que exige o isolamento do ambiente (pelamor, hein?!).

Tudo isso é um saco, especialmente porque sempre chegamos cansados depois de horas de voo ou apressados para passear, mas é preciso tomar cuidado, sim. Lembre-se de pensar no bem-estar do seu país também, afinal, com a quantidade de turistas indo e vindo, acredita-se que em pouco tempo essa praga será um problema para o Brasil.

E, olha só... Os percevejos podem estragar suas fotos de viagem. :(


Chatão.

Beijos,

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