Caminho de Santiago: Preparação psicológica

"Você vai sozinha?! Mas e o medo?"

Dá medo, sim. E ouvi esta pergunta de muita gente. Pois acredito que o Caminho de Santiago será uma prova de fogo para mim. Quem me conhece sabe o quanto eu sou medrosa - tenho medo de avião, tenho medo de chuva, medo de relâmpagos, medo de vento, medo de insetos, medo de altura... Mas eu não suporto viver aprisionada pelos meus medos. E nunca deixei de viajar por causa deles. Mesmo assim, eu sofro e deixo de fazer muita coisa que eu gostaria de fazer.

Até hoje só viajei para o exterior acompanhada da Ana. E ela sempre foi muito ~brother~ em relação aos meus medos: nunca tirou sarro de mim, sempre ajudou a me acalmar, segurou minha mão e me deu segurança. Agora a parada é outra. Vou sozinha e não terei com quem contar na hora em que o peito apertar. Será a primeira vez que pegarei um voo de mais de 10 horas sem ninguém pra me apoiar.

Caminho de Santiago: Preparação psicológica

Não subestime seus medos

Se não forem tratados, os medos não diminuem sozinhos. Ao contrário do que muita gente pensa, o medo só aumenta. Como já contei aqui, no texto "Medo de avião: eu não nasci para voar", meu medo de avião começou do nada e aumentou muito, em pouquíssimo tempo. Adianta ficar sofrendo? Não. É preciso tratar.

Supere seus medos

No começo do ano passado, quando meu medo de chuva virou fobia, eu procurei um especialista em doenças psicossomáticas e fiz um tratamento a base de homeopatia e acupuntura. Funcionou por um tempo. O tratamento era caríssimo e eu não consegui dar continuidade a ele. Quando as tempestades recomeçaram neste verão, eu percebi que meu medo não tinha ido embora. 

Aí veio o pavor: e se chover no Caminho de Santiago? Terei uma crise de pânico no meio do mato? Pelamor! Pensando nisso, consultei um psiquiatra há mais ou menos 2 meses, que me receitou um remedinho que já me transformou em outra pessoa (na que eu era antes de ter medo de tempestades) e que promete me deixar 100% até a data da viagem. Sem neuras, sem preconceitos. Às vezes, seus medos só aparecem porque falta alguma substância em seu organismo (olha, não entendo nada sobre isso e prefiro deixar que um profissional lhe explique), por isso, consultar um especialista é a sua melhor opção.

Se você tiver tempo e disponibilidade para fazer algum tipo de terapia antes de viajar, comece o quanto antes. Dividir seus receios e angústias com um profissional que lhe indicará o caminho que você deve seguir é fundamental.

Aprenda com os outros

Como já comentei aqui, a Associação de Confrades e Amigos do Caminho de Santiago - ACACS-SP, oferece palestras gratuitas com pessoas que já fizeram o Caminho e têm muita experiência e conselho para compartilhar. É muito importante saber por quais tipos de experiências (boas e ruins) as pessoas passam e, mesmo sabendo que vai ser tudo diferente, você já fica um pouco preparado.

Em 31 de janeiro eu participei de uma palestra lá na ACACS-SP e tive uma longa conversa com um dos voluntários. "Ai, é verdade que várias pessoas já morreram fazendo o Caminho?". É, é verdade. Mas, acredite, elas foram inconsequentes. Se você tem problemas cardíacos e, ainda assim, insiste em subir os Pirineus sozinho, sem ninguém pra te socorrer caso você tenha um ataque, saiba que você é bem cabeçudo. Não há o que temer durante o Caminho: hoje, todo o trajeto tem uma ótima infraestrutura, com paradas, abrigos, além de pessoas por todos os lados.

Uma dica bacana que o voluntário da ACAS-SP me deu foi a de ligar para 112 se acontecer qualquer coisa. Este é o número do Centro de Emergências, que pode lhe resgatar de onde você estiver. Caiu, machucou a perna, passou mal, não consegue se mover? Ligue 112 e pronto. Dizem que eles chegam em menos de cinco minutinhos. Dá pra ficar bem mais tranquilo assim, né?

Peça ajuda do alto

Não sei qual é a sua religião, mas a minha tem me ajudado bastante a superar meus medos. Confiar é o segredo - e, às vezes, muito difícil. “Se permaneceis em mim e minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo o que quiserdes e vos será feito” (Jo 15, 7). “Pedi e se vos dará. Buscai e achareis. Batei e vos será aberto. Porque todo aquele que pede, recebe. Quem busca, acha. A quem bate abrir-se-á” (Mt 7, 7-8). Reze, peça a Deus (ou a quem você acredita que lhe ouve) para lhe ajudar a confiar e a perder os medos; converse com os sacerdotes (ou o seu guia) e peça direções para essa superação. 

No próximo post eu vou falar sobre a preparação espiritual para o Caminho de Santiago e me aprofundarei mais neste tópico. Por fim, não se esqueça: "Coragem é a resistência ao medo, o domínio do medo, e não a ausência do medo" (Mark Twain).

Beijos,

Caminho de Santiago: Preparação física - Parte 4

Ontem (sábado, 21 de março) foi dia de mais um treino para o Caminho de Santiago. Para este percurso, criei, antecipadamente, um roteirinho no Google Maps para não nos perdermos e para conseguirmos encontrar todas igrejas do caminho. O roteiro marcava um total 13 Km, mas eu sabia que faríamos mais que isso. Obviamente, nos perdemos logo no primeiro quilômetro e isso já compensou a distância que faltaria ao final. O roteiro também contemplava oito igrejas, mas só conseguimos visitar seis.


Encontrei a Cintia, às 9h, na Estação Jabaquara do Metrô e, de lá, fomos direto para a Igreja Nossa Senhora das Graças (Avenida Engenheiro Armando de Arruda Pereira, 2313 - Jabaquara).

Igreja Nossa Senhora das Graças
Então, seguimos rumo à Paróquia São João Batista (R. Mianos, 122 - Vila Mira), de onde o Padre Leo Nascimento - que já foi um dos padres da minha paróquia - é pároco. Que igreja mais lindinha!

Paróquia São João Batista
Pegamos um caminho com tantas subidas que achei que minhas pernas fossem estourar (hahaha) e chegamos à Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e Santa Rosália (Av. Mascote, 1179 - Vila Santa Catarina). Eu nasci no dia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e estava doida para conhecer essa igreja, mas as imagens já estavam todas cobertas com o véu roxo da Quaresma. :(

Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e Santa Rosália
De lá, fomos para o Alto da Boa Vista, para conhecer a Paróquia Sant'Ana (Rua Regina Badra, 282), onde o Pe. Claudio Nazario (que já foi pároco da minha igreja) é o atual pároco. Não demos sorte: a igreja fechava ao meio-dia e chegamos às 12h10. :(

Partimos, então, para a Paróquia Nossa Senhora de Sabará (Av. Nossa Senhora de Sabará, 3212 - Vila Emir). No caminho, deveríamos ter parado na Paróquia Nossa Senhora Rainha da Paz (Rua Sócrates, 813 - Vila Sofia), mas não tínhamos mais tempo. Eu queria encontrar o Pe. Marcio Silva lá na Igreja Verde e ele precisava sair às 13h. Não demos sorte de novo: chegamos às 13h20. A chuva apertou e fizemos um tempinho na N. Sra. de Sabará. 

Depois, descemos rumo ao destino final: o Santuário Theotokos - Mãe de Deus (Av. Interlagos, 3823 - Vila Umuarama) onde assistimos à Missa celebrada pelo Pe. Marcelo Rossi e pelo Bispo Dom Fernando, que começou às 15h. Mas, antes, demos uma passadinha na feirinha de artigos religiosos que tem bem em frente ao santuário e almoçamos na lanchonete da igreja. Comemos dois pastéis cada uma, affff! (Achei que este fato merecia um registro porque não farei isso nunca mais! Haha).

Caminho de Santiago: Preparação física - Parte 4

A Missa, como sempre, foi linda! Quando acabou, pegamos um ônibus e voltamos pra casa. Apesar de termos feito só 1 Km a mais que das outras vezes, o tour foi cansativo pra caramba, afinal, saímos às 8h e chegamos às 18h. E teve muita, muita subida! Dessa vez, ambas ganhamos uma bolha no dedão direito (bizarro, foi no mesmo lugar para as duas!) e percebemos que o Caminho não será moleza, não. 

Santuário Mãe de Deus
Veja o vídeo do tour deste sábado:


Semana que vem tem mais! Se quiser, pode chegar!
Beijos,

Equipamentos para o Caminho de Santiago: Decathlon Brasil x Decathlon Espanha

Estou vivendo o drama dos equipamentos para o Caminho de Santiago. Pesquisei várias lojas em São Paulo e cada uma tem um preço diferente para os mesmos produtos. E a diferença é enorme. No geral, a que tem o menor preço para os equipamentos é a Decathlon. Dentre as marcas de equipamento, as que têm o menor preço são a Quechua e a Guepardo

Equipamentos para o Caminho de Santiago: Decathlon Brasil x Decathlon Espanha

O que mais estava me "apavorando" era o tal bastão de caminhada. Tem bastão de R$ 80, tem bastão de R$ 300. É claro que a qualidade varia muito, mas, de qualquer maneira, mesmo o barato é carinho, afinal, a ideia é comprar um par (não é obrigatório, mas é útil) e tá aí uma parada que não vou mais usar (a não ser que eu pegue um gosto incrível por caminhadas). Um conhecido meu que fez o Caminho me aconselhou comprar o bastão na Decathlon da Espanha, quando eu já estiver por lá. Assim, eu economizaria muito. Aliás, tem Decathlon em todo lugar - em Madri, em Barcelona, em Santiago de Compostela, em Coruña etc.
Tá, mas e o resto dos equipamentos? Vale a pena comprar aqui ou lá?

Fiz uma pequena comparação e gostaria de dividir com você.

Bastão

Equipamentos para o Caminho de Santiago: Decathlon Brasil x Decathlon Espanha
Equipamentos para o Caminho de Santiago: Decathlon Brasil x Decathlon Espanha

O bastão mais baratinho aqui custa R$ 80. Na Espanha, 16 €. Vamos fazer a conversão considerando o euro a R$ 3,50? O bastão na Espanha sai por R$ 56. É... Dá pra economizar um tantinho. 
Uma observação sobre o bastão de caminhada: muitos peregrinos usam cajado de madeira. Isso você pode comprar lá no começo do Caminho, mas considere que você não poderá guardá-lo na mochila (o bastão é retrátil, o cajado, não) e dificilmente conseguirá embarcar com ele no voo de volta - será preciso enviá-lo pelo correio caso você faça muita questão de guardá-lo. 

Qual vence: Decathlon Espanha.

Saco de Dormir

Equipamentos para o Caminho de Santiago: Decathlon Brasil x Decathlon Espanha
Equipamentos para o Caminho de Santiago: Decathlon Brasil x Decathlon Espanha

O saco de dormir precisa ser bom e levinho. Este lhe deixa dormir tranquilo numa temperatura de até 10 graus. Aqui sai por R$ 180, na Espanha, por 50 €. Convertendo, R$ 170 na Espanha. Não vale, afinal, aqui você pode pagar com seu cartão sem se preocupar com o IOF e ainda parcelar a compra.

Qual vence: Decathlon Brasil.

Mochila

Equipamentos para o Caminho de Santiago: Decathlon Brasil x Decathlon Espanha
Equipamentos para o Caminho de Santiago: Decathlon Brasil x Decathlon Espanha

Apesar de ser grande demais para fazer o Caminho de Santiago (o ideal é uma mochila de 30 ou 40 L), peguei esta Forclaz de 50 L só pra comparar. Uau! Convertendo, na Espanha sai por R$ 276, enquanto aqui, quase R$ 400. Vale muito! O problema é levar o conteúdo da mala, né? Hahaha. 

E tem outras. Olha só esta:

Equipamentos para o Caminho de Santiago: Decathlon Brasil x Decathlon Espanha
Equipamentos para o Caminho de Santiago: Decathlon Brasil x Decathlon Espanha

No Brasil, esta está R$ 280 e, na Espanha, R$ 175. Também vale muito mais a pena comprar lá. Agora, olha esta:

Equipamentos para o Caminho de Santiago: Decathlon Brasil x Decathlon Espanha
Equipamentos para o Caminho de Santiago: Decathlon Brasil x Decathlon Espanha

Tudo bem que R$ 30 já é um preço bem ridículo para uma mochila, mas TRÊS EUROS? É demais! A mochila, na Espanha, sai por R$ 10! Atenção: não compre mochilas assim, sem alça de suporte para o quadril. Se você levar todo o peso (mesmo que pouco) nos ombros, não conseguirá fazer nem dois dias de caminhada. 

Qual vence: Decathlon Espanha.

Poncho (para chuva)

Equipamentos para o Caminho de Santiago: Decathlon Brasil x Decathlon Espanha
Equipamentos para o Caminho de Santiago: Decathlon Brasil x Decathlon Espanha

Aqui, um poncho custa R$ 24,90. Na Espanha, sai por R$ 24,50. Não, definitivamente, leve o seu daqui.

Qual vence: Decathlon Brasil.

O jeito é mesmo dar uma pesquisada item por item. Inclusive, a Decathlon não tem tudo de que você precisará (não tem cantil, por exemplo). E pense, também, se vale a pena perder tempo na sua viagem para comprar seus equipamentos. Se der para você comprar pela internet e mandar entregar na casa de algum amigo lá na Espanha, maravilha. Mas considere o valor do frete, hein?

Beijos,

Caminho de Santiago: Preparação física - Parte 3

E continua a saga da preparação física para o Caminho de Santiago. Confesso que dei uma bobeada na semana que passou e não treinei nenhuma vez (nem no fim de semana). Mas, poxa, choveu todos os dias! Então, ao fazer os 15 Km no último sábado, quase morri de cansaço. 

Encontrei minha amiga Cintia Segura na estação Ana Rosa do Metrô e descemos a Rua Rodrigues Alves. Aproveitamos para fazer aquela selfie esperta na porta de onde nos conhecemos, há exatos 20 anos (o colégio Cristo Rei).

Caminho de Santiago: Preparação física - Parte 3

Atravessamos a Av. 23 de Maio e entramos no Parque Ibirapuera. Queríamos testar a caminhada pela terra.

Caminho de Santiago: Preparação física - Parte 3
Caminho de Santiago: Preparação física - Parte 3
Botinha impermeável e antiderrapante - tem lá no Meggashop Outlet ;)
Demos uma volta e meia no Parque e saímos pela Avenida Brasil, rumo à primeira parada: a Paróquia Nossa Senhora do Brasil (a igreja mais hype de São Paulo), que é linda de morrer. Ficamos uns 10 minutinhos por lá e pegamos o caminho de volta.

Caminho de Santiago: Preparação física - Parte 3
Caminho de Santiago: Preparação física - Parte 3
Caminho de Santiago: Preparação física - Parte 3

Nossa segunda parada foi na Paróquia Santíssimo Sacramento. que fica na Rua Tutóia.

Caminho de Santiago: Preparação física - Parte 3

Terminamos a caminhada na Rua Tutóia mesmo, completando 15 Km.

Caminho de Santiago: Preparação física - Parte 3

Veja o vídeo:


Dessa vez, eu resolvi experimentar algumas dicas e truques que ouvi por aí e, considerando, a experiência do primeiro "grande" treino, já deu para sacar o que devo fazer no Caminho. Realmente, passar a vaselina (sólida) nos pés, antes de vestir as meias, é imprescindível! Usei o Body Glide, que é próprio para atletas (não é o meu caso), que tem o mesmo efeito da vaselina (diminui o atrito da pele com a roupa ou o sapato), mas é em stick e não suja as mãos. Também troquei as meias - vesti só um par de meias atoalhadas e longas. O dedinho que estava pegando na semana passada, eu enfaixei com micropore. Perfeito: não senti nenhum incômodo e nenhuma dor nos pés.

Caminho de Santiago: Preparação física - Parte 3
Vaselina e micropore você encontra em qualquer farmácia. O Body Glide meu pai comprou nos EUA.  
No próximo treino, quero experimentar caminhar com minha mochila grande pra ver se dá certo ou se precisarei comprar uma menor. Quem quiser nos acompanhar no próximo sábado, é só falar! :D

Veja também:
- Caminho de Santiago: Preparação física - Parte 1
- Caminho de Santiago: Preparação física - Parte 2

Beijos,


Machu Picchu (Peru): o que você precisa saber antes de viajar para lá

Machu Picchu, a cidade perdida dos Incas, é considerada uma das Sete Novas Maravilhas do Mundo, assim como a Muralha da China e a as Ruínas de Petra, na Jordânia. Machu Picchu é um grande ponto histórico do Peru, que recebe milhares de turistas todos os anos. Construída no século XV, no topo de uma montanha a 2.400 metros de altitude, o local é símbolo do Império Inca. Considerado Patrimônio Mundial da UNESCO, o lugar foi descoberto apenas em 1911 e somente 30% da cidade é de construção original -- os outros 70% foram reconstruídos.

Machu Picchu (Peru): o que você precisa saber antes de viajar para lá

Machu Picchu tem duas grandes áreas: a agrícola, formada por terraços; e a urbana, onde está a zona sagrada, com templos, praças e mausoléus. Para chegar lá em cima, você pode ir de trem ou fazendo alguma das trilhas pela montanha, vindo de Cusco. A mais famosa é a Trilha Inca (ou Camino Inca), que é bem pesada, boa para os aventureiros. Essa trilha fecha em fevereiro por causa das fortes chuvas, então é bom ficar ligado se quiser passar por ela. A cidade em si não fecha, a não ser que a chuva seja extremamente forte, mas reabre assim que a chuva passar. De qualquer maneira, é bom evitar os meses de fevereiro e março pra não correr o risco de ficar sem o passeio. Para fazer a Trilha Inca, você precisará, além de um bom preparo físico, reservar antecipadamente seu lugar no grupo. O limite máximo por dia, permitido pelo governo, é de 500 pessoas, portanto, o passeio é bem concorrido. Você pode checar a disponibilidade de datas no site www.machupicchu.gob.pe, mas não conseguirá fazer a reserva por ele. O viajante é obrigado a contratar uma agência credenciada pelo governo peruano para fazer o passeio. A lista dessas agências encontra-se neste link.

Há três formas para chegar em Cusco: pelo lendário Trem da Morte, por carro ou por avião. Se quiser ir pela primeira opção, o Trem da Morte, viagem conhecida entre os mochileiros, saiba que você precisará dispôr de pelo menos 20 dias, saindo do Mato Grosso do Sul. Pegue um ônibus da Viação Andorinhas até Corumbá e siga para Puerto Quijarro, na fronteira com a Bolívia. Pegue, então, outro ônibus, da Companhia Oriental, que lhe levará a Santa Cruz de la Sierra em 18 horas. De lá, pegue outro ônibus para La Paz, de onde você seguirá para Copacabana, na margem do Titicaca. Do outro lado está a peruana Puno, local de onde sairá o trem (Peru Rail) para Cusco e Machu Picchu. Para quem gosta de aventura, mas achou o roteiro um pouco longo, tome um voo direto para La Paz e o caminho será reduzido pela metade. ;)

Machu Picchu (Peru): o que você precisa saber antes de viajar para lá

Se quiser ir de carro, você precisará de 15 dias disponíveis. O roteiro parte da Amazônia, passando por Rio Branco, a capital do Acre, de onde você seguirá em direção a Cusco pela estrada Interoceânica. Atravessar a maior selva tropical do mundo para chegar até Machu Picchu não é uma aventura fácil: a maior parte da estrada é asfaltada, mas há muitos trechos que são de terra, portanto, um 4x4 é o carro ideal. Se quiser optar por este meio, viaje entre junho e outubro, na época das secas, para que você não corra o risco de atolar o carro em nenhuma estrada.

Machu Picchu (Peru): o que você precisa saber antes de viajar para lá

Por fim, a maneira mais convencional e objetiva é o avião. Há diversos voos diárias de empresas aéreas brasileiras e internacionais com destino a Lima, a capital do Peru. De lá, muitos voos domésticos, de aproximadamente uma hora, saem todas as manhãs em direção a Cusco. Se quiser ir para esta cidade de carro, vindo da capital, é só seguir a rodovia Panamericana Sur ou tomar um ônibus da Cruz del Sur. A viagem de Lima a Cusco, por terra, costuma durar 20 horas. Para chegar ao Peru, não precisa de visto (nem de passaporte): basta apresentar seu RG em bom estado.

Quando chegar, passe pelo menos um dia na cidade antes de começar a subida à cidade sagrada. Você já ouviu falar do Mal de Altitude? Pois a altitude elevada pode ocasionar alguns desconfortos como dores de cabeça, enjoo, vômito, tontura, falta de ar... Portanto é ideal que seu corpo tenha um tempo para se acostumar com a altitude de Cusco. Leve analgésicos na mala (veja aqui minhas dicas de como arrumar a necessaire de remédios), repouse e hidrate-se bem para melhorar os sintomas. No Peru e na Bolívia, os viajantes usam muito folhas de coca para mascar ou tomar em chá. Elas ajudam na caminhada, portanto, pode usar a vontade!

A noite de Cusco é bem animada, afinal, são muitos viajantes, de todas as partes do mundo, saindo para tomar uma cerveja peruana. E a experiência gastronômica pode ser bem interessante. A comida peruana,a combinação das cozinhas espanholas e africanas, com os segredos herdados dos incas, é uma das mais exóticas da América do Sul. Experimente os tradicionais ají de galinha e choros a la chalaça (espécie de marisco ao vinagrete). Para beber, prove o pisco sour, aguardente bem conhecida por ali.

Para se hospedar, há diversas opções (veja aqui), que ficam nos pés das montanhas e nas margens do Rio Vilcanota, com excelentes vistas para a natureza.

Machu Picchu (Peru): o que você precisa saber antes de viajar para lá

Não se esqueça de que é preciso comprar ingressos para entrar na cidade de Machu Picchu (e você pode fazê-lo por este site http://www.machupicchu.gob.pe/).

Beijos,

Caminho de Santiago: Preparação física - Parte 2

Como expliquei no texto Caminho de Santiago: Preparação física - Parte 1, é muito importante acostumar o corpo a longas caminhadas. O ideal é que se comece aos poucos, andando curtos percursos, e aumentar a distância conforme a viagem se aproxima. Também é ideal caminhar por diferentes tipos de solo (asfalto, terra, subidas, descidas etc.) porque tudo isso fará parte do Caminho de Santiago. 

Desde o mês passado, estou fazendo pequenas caminhadas de, 3 a 6 Km, pelo meu bairro mesmo. Mas agora que faltam exatos três meses para eu embarcar para a Espanha, decidi começar as caminhadas mais longas. Então, no último sábado, eu e minha amiga da época da escola, Cintia Segura, fomos peregrinar pela nossa cidade. 

Começamos às 9h da manhã, na Paróquia Santuário São Judas Tadeu, que fica na Av. Jabaquara, 2682.

Caminho de Santiago: Preparação física - Parte 2

Caminhamos pela Avenida Jabaquara inteirinha, passando pela Praça da Árvore e pela Saúde. Quando chegamos à Vila Mariana, fizemos nossa primeira parada, na Paróquia Nossa Senhora da Saúde, que fica na Av. Domingos de Morais, 2387.


Continuamos até a Rua Vergueiro, demos uma paradinha na Paróquia Nossa Senhora do Paraíso, e seguimos pela Av. Paulista. Decidimos, então, descer a Rua Manoel da Nóbrega até o Parque Ibirapuera. Mas, quando chegamos perto do Círculo Militar, começou a maior chuva. 

Caminho de Santiago: Preparação física - Parte 2

Nos abrigamos em uma banca de jornal e esperamos a água diminuir. Depois, contornamos o Parque e seguimos pela República do Líbano. Caminhamos até Moema e, quando completamos 15 Km, paramos.

Caminho de Santiago: Preparação física - Parte 2
Acompanho todos os meus treinos e caminhadas pelo app RunKeeper 
Neste primeiro treino, tive a oportunidade de prever alguns probleminhas que posso encontrar na viagem. O primeiro deles é a meia. Muita gente me falou que eu devo usar duas meias para proteger os pés. Só que eu odiei andar com duas! Tanto que, quando completei 4 Km, parei, tirei as botas e guardei a segunda meia na mochila. Também vi que a meia pega meu dedinho do pé esquerdo. Já vou comprar uns curativos para enfaixá-lo no Caminho. A Cintia, por exemplo, sentiu o cano alto da bota pegar o tornozelo e já sabe que precisará de uma meia mais alta. Esses treinos são fundamentais para, além de amaciar as botas e nos adaptarmos a todos os acessórios, conhecermos nosso corpo. Ainda assim, sabemos que teremos algumas surpresas

Caminho de Santiago: Preparação física - Parte 2
Nossas botas Timberland impermeáveis, compradas no Meggashop Outlet, mantiveram nossos pés sequinhos! :D
Quando cheguei em casa, eu estava morta. No dia seguinte, minhas pernas queimavam. Isso prova que meu preparo físico é nada ainda. E, lá, não teremos tempo pra descansar os músculos, não: caminharemos 15, 20, 25 Km todos os dias. Por isso, a preparação é fundamental.

No próximo fim de semana tem mais. Aí eu conto como foi o desempenho e por que rota seguimos. Quem quiser me acompanhar, é só falar! :D

Beijos,

Petra (Jordânia): o que você precisa saber antes de viajar para lá

Petra é uma importante região arqueológica da Jordânia, um país do Oriente Médio, que faz fronteira com a Síria (norte), Iraque (leste), Arábia Saudita (sul) e com o Golfo de Aqaba, Israel e com o território palestino da Cisjordânia (oeste). As ruínas que conseguiram sobreviver ao tempo são de uma beleza impressionante. Por mais que você nunca tenha visitado a Jordânia, já deve conhecer este monumento do filme Indianas Jones, certo? Foi lá que gravaram as cenas de Indiana Jones e a Última Cruzada, além de servir de cenário para algumas cenas de Transformers 2.

Petra (Jordânia): o que você precisa saber antes de viajar para lá

Petra está situada entre as montanhas que formam o flanco leste de Wadi Araba, o grande vale que vai do Mar Morto ao Golfo de Aqaba, perto do Monte Hor e do Deserto de Zin. A cidade começou a ser habitada por volta de 1200 a. C. e foi, durante muito tempo, importante rota comercial entre a Península Arábica e Damasco, na Síria. No ano de 312 a. C., a região foi colonizada pelos Nabateus que, com influência greco-romana e oriental, deixaram sua marca na arquitetura esculpida em rocha. Foram os nabateus que deram o nome de Petra ao enclave e nomearam a cidade como sua capital. Por volta de 63 a.C., o general romano Pompeu anexou Petra ao Império Romano. Petra passou dos romanos aos bizantinos em 395, quando Constantino fundou o império com capital em Constantinopla, que hoje é Istambul.

Petra prosperava até que um terremoto destruiu quase metade da cidade. muitos dos edifícios foram derrubados e reutilizados para a construção de novos outros. Mas, no ano de 551, um segundo terremoto, bem mais forte que o anterior, destruiu quase a cidade inteira. Dessa vez, Petra não conseguiu se recuperar da catástrofe.

Petra (Jordânia): o que você precisa saber antes de viajar para lá

As ruínas que restaram em Petra foram redescobertas pelo explorador suíço Johann Ludwig Burckhardt em 1812 e o local tornou-se objeto de curiosidade de visitantes e arqueólogos. Em 1985 Petra foi reconhecida, pela Unesco, como Patrimônio da Humanidade.

As ruínas de Petra formam uma área enorme e, por isso, são necessários pelo menos dois dias para conhecê-las -- até porque é preciso ter um bom preparo físico para as caminhadas em meio às rochas, desfiladeiros e paredões que permeiam caminhos estreitos.

A entrada custa em torno de 75 dólares para um dia de visita, caso você durma pelo menos uma noite na cidade. Quem faz bate e volta acaba pagando um pouco a mais pelo ingresso. Há bilhetes para um, dois ou três dias e a regra é a mesma de sempre: quanto mais dias você comprar, menos você vai pagar por cada um.

Lá, você fará uma primeira parada à frente do Al Khazneh, o Templo do Tesouro. Cheio de turistas, o local abriga a construção mais famosa de Petra que, até hoje, tem sua finalidade desconhecida. Dizem que ladrões haviam escondidos suas riquezas em uma urna no topo da construção e daí o nome do lugar.

Outro local importante nas ruínas é o El Deir, o Monastério. O acesso a ele é meio complicadinho, pois a caminhada demora uns 30 minutos, por uma longa escada de pedras, em um chão de areia. Muito cuidado para não escorregar, hein? Se preferir, pode alugar um burro dos beduínos.

Quando já tiver conhecido o Monastério, faça uma breve escalada até o vale de Wadi Musa. Os beduínos afirmam que, de lá, dá pra ver até a Arábia Saudita se o dia estiver limpo.

Outro passeio bastante famoso por lá é o “Petra by Night”, uma das atrações mais impressionantes da cidade. Durante à noite, são posicionadas quase duas mil velas por todo o desfiladeiro, iluminando apenas o caminho que leva ao Templo do Tesouro e o próprio monumento. Lá, acontecem apresentações de música típica e os visitantes são recepcionados com chá quente. O evento acontece às segundas, quartas e quintas a partir das 20h30.

Petra (Jordânia): o que você precisa saber antes de viajar para lá
Petra by Night
Você pode chegar à Petra vindo de Amã, a capital da Jordânia, por taxi ou, se preferir, de carro alugado. Veja aqui na Expedia, ofertas de passagens para a Jordânia, hospedagem e aluguel de carro.
Se quiser, você pode chegar à Petra vindo de Israel. Para sair do país, é preciso pagar uma taxa de 12 euros e pegar um táxi na fronteira. De lá até Petra, você gastará uns 75 euros para uma viagem de cerca de 200km.

De qualquer forma, para entrar na Jordânia, é preciso ter o visto. Mas este você consegue na hora do desembarque, no Aeroporto Internacional de Amã, pagando uma taxa de 20JD (dinar), o equivalente a mais ou menos 30 dólares. Se não pretende chegar pela capital do país, verifique qual é o procedimento de entrada pelo site Visit Jordan.

Por fim, minha dica é: programe-se para visitar a cidade na primavera e no outono porque as estações do ano são bem definidas por lá, ou seja, inverno brusco e verão sufocante. Além disso, no inverno, há muita chuva, o que pode dificultar seu passeio por Petra.

Beijos,

Ushuaia (Argentina): o que você precisa saber antes de viajar para lá


Já pensou em viajar para o fim do mundo?
Então prepare-se para conhecer Ushuaia, a última cidade ao sul do planeta. 

Ushuaia (Argentina): o que você precisa saber antes de viajar para lá

Localizada no sul da Ilha Grande da Terra do Fogo, aos pés dos Andes Fueguinos, em território Argentino, Ushuaia é considerada a porta de entrada para a Antártica. De lá saem as expedições para o continente do extremo sul do planeta, que fica a mil quilômetros de distância. Mas essas expedições só acontecem no verão, a partir de novembro (e não custam nada barato).

Em Ushuaia, você encontrará uma paisagem espetacular, de bosques, montanhas, rios e lagos, além de muita, mas muita neve, claro. Em meio a tanta natureza, as atividades típicas da cidade não poderiam ser outras senão cavalgadas, passeios de trem, de barco, excursões em 4x4, trekking, pesca, esqui, canoísmo, ciclismo, safári, observação de flora e fauna e todas as atividades de inverno e aventuras da Patagônia. Quando estiver por lá, não deixe de pegar uma embarcação para ver os lobos marinhos nem de visitar os fósseis de dinossauros. Mas se você não faz o tipo aventureiro, a Patagônia também é para você. Dá pra caminhar e apreciar a paisagem única de Ushuaia, nos diversos mirantes ou desfrutar de um cruzeiro sobre as águas geladas do Atlântico.

Ushuaia (Argentina): o que você precisa saber antes de viajar para lá

E não é porque ela é a última cidade do mundo que sua infraestrutura é razoável. Muito pelo contrário, a hotelaria e a gastronomia de Ushuaia são de nível internacional, com estabelecimentos de até 5 estrelas. Há estâncias simples, luxuosas pousadas, refúgios e cabanas. Encontre o hotel que mais combina com você e não deixe de saborear delícias como a santola (centolla), a merluza negra e o típico cordeiro patagônico (carneiro fueguino), que possui uma das carnes mais saborosas do mundo.

Ushuaia possui um centro de esqui alpino, considerado o favorito dos times internacionais de competição para treinamento fora de temporada, o Cerro Castor, que fica a 26 km do centro. Composto de 24 pistas, para todos os níveis de esquiadores, o centro possui uma neve super fofinha durante todo o inverno e uma superfície de 600 hectares para a prática do esqui, com desnível de 800 metros. Para quem ainda é iniciante, o Cerro Castor tem três magic carpets e, para os mais aventureiros, o snowpark. Além disso, o centro possui wi-fi liberado em todo o seu território, restaurantes, bares, creche, ski shop etc.

Ushuaia (Argentina): o que você precisa saber antes de viajar para lá

Além do famoso Cerro Castor, Ushuaia possui mais dez centros invernais, que oferecem diversas atividades lúdicas na neve. Vale fazer o passeio de trenó puxado por cães no Valle de Lobos, fazer aulas de eski no Solar del Bosque, participar de uma travessia durante dias seguidos pela montanha com a Tierra Mayor ou fazer uma atividade nada convencional como a snow banana, no Valle Hermoso. Se quiser patinar no gelo ou jogar Hockey, o Club Andino Ushuaia, que fica no centro do Bairro Andino, oferece aulas e aluga equipamentos para a prática desses esportes nas águas congeladas da Lagoa Del Diablo (entrada gratuita e funcionamento até às 22h).

Ushuaia também é palco de cultura, com diversos festivais internacionais, museus, exposições etc. Durante o outono austral, período conhecido como “estação das artes e da cultura no fim do mundo”, Ushuaia recebe o Festival Internacional de Música Clássica, com renomadas orquestras sinfônicas do mundo todo, a Bienal de Artes do Fim do Mundo, além de festivais gastronômicos e populares. 

Mesmo assim, a melhor época para visitar Ushuaia, caso você não queira fazer a expedição para a Antártica nem se interesse pela estação das artes, é mesmo o inverno, que se estende de junho a outubro. Por causa do clima marítimo, a temperatura não varia muito, tendo média de 0 grau durante toda a estação. De junho a julho acontecem as temperaturas mais baixas do ano, chegando a 10 graus abaixo de zero. Ou seja, dá pra sobreviver. ;)

Ushuaia é também o ponto de partida para percorrer e descobrir lugares únicos na Argentina, como navegar pelo Canal de Beagle (com saídas do Porto Turístico - onde há a famosa placa “Fim do Mundo”), do qual você poderá ver as centenas de pinguins que ficam por ali na temporada de outubro a março. Os preços variam de 250 a 470 pesos por pessoa, dependendo do passeio. Outra atividade bacana de se fazer em Ushuaia é viajar no Trem do Fim do Mundo, que parte diariamente às 10h e às 15h, com passagens a 175 pesos e duração de 1h50. Também conhecido como o trem dos prisioneiros, o trem leva os visitantes para conhecer alguns trechos do Parque Nacional Terra do Fogo

Ushuaia (Argentina): o que você precisa saber antes de viajar para lá

E, por falar em prisioneiros, visite o Museu Marítimo e do Presídio e você conhecerá bastante sobre a história da cidade. 

Para chegar em Ushuaia, você pode ir de avião, através de um voo direto de três horas e meia desde Buenos Aires (Ezeiza ou Jorge Newbery), ou de barco, saindo de Buenos Aires. A travessia pelo mar demora de três a quatro dias. É um modo lento de se chegar ao fim do mundo, mas com um visual inesquecível. Veja também Argentina: o que você precisa saber antes de viajar para lá.

Se quiser ir de carro ou de ônibus, prepare-se para percorrer 3 mil km desde Buenos Aires. Isso significa 49 horas de estrada, incluindo uma travessia de balsa pelo Estreito de Magalhães. Complicado. Mas se for seu estilo de viagem, não hesite em fazê-la.

Beijos,

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