Beirute

Dia 8: Beirute (Líbano) - A balada da Ana

sexta-feira, abril 06, 2012

O que fazer quando uma paixão simplesmente mudar os seus planos durante uma viagem?

Nada. Deixe rolar.

É como eu sempre prego por aí quando me perguntam sobre planejamento para botar o pé no mundo: um guia é ideal para que você não perca detalhes importantes do local aonde vai. No entanto, nenhuma pauta é mais rica do que mudar de planos diante da oportunidade de viver algo diferente.

No início da noite de 23 de fevereiro, uma ligação fez com que eu me desviasse do que havia sido combinado. Enquanto as meninas comfirmaram uma balada em Beirute e até par já haviam arrumado para mim -- que, posteriormente, vim a saber que era o maior gato --, resolvi que, naquela noite, preferi arriscar as minhas fichas em outro jogo.

Fui de táxi até o Torino Express e, para chegar lá, saindo do Hamra, paguei 13 mil libras libanesas (R$ 16). O Torino, como já contei neste post, é um bar para uma galera mais desencanada de Beirute. Quem me conhece, sabe que eu adoro uma noitada daquelas, com música alta, gente muito louca dançando e bebida, mas de uns tempos para cá, tenho preferido uma pegada mais sossegada, como a desse bar. E, claramente, eu tinha um motivo a mais para querer estar ali.

O Torino Express é minúsculo e as luzes vermelhas dão o ar de "inferninho" ao local. :)
Chegar sozinha a um bar não é tarefa fácil e ainda falarei sobre isso aqui no blog. Cheguei, pedi uma Almaza e dei uma olhada em volta. Nada. Saí para fumar um cigarro e esperar -- eu sei, pode fumar em qualquer lugar no Líbano, mas, né? Depois de uns dez minutos, o barman foi lá fora me chamar, dizendo que o lindo do bar estava lá dentro me esperando.

Ficamos ali por algumas horas e conheci pessoas lindas. Parece que se apresentar como brasileira é sinônimo para ser bem tratada em qualquer lugar do mundo. Logo engatei um papo com um casal que era louco para conhecer o Brasil. Eles haviam participado do carnaval do Centro Cultural Brasil-Líbano e, claro, amado! Também consolei moças desoladas pelo descaso dos peguetes (*cof) e acudi bêbados derrubando copos e desperdiçando bebida pelo bar.

Depois de algumas cervejas, como era de se esperar, parti com o lindo do bar e seus amigos para o Crewbar. Chegando lá, uma outra pessoa já estava à nossa espera e, embora tenhamos trocado apenas algumas palavras aquela noite, ele se tornou um queridíssimo amigo e conversamos todos os dias. :)


No decorrer da noite, com (muita) cerveja na cabeça, a gente começa a se meter em todas as conversas. Em uma delas, acabei discutindo com um americano muito folgado que desatou a me xingar, sem motivo algum. O lindo do bar chegou para ver o que estava acontecendo e eles acabaram discutindo também. Eu só queria que aquilo terminasse. "Você está com a gente e agora, neste momento, é uma libanesa. Se ele te ofender, ele está nos ofendendo também".

*Respiro

Como a Lu já contou aqui, deu a louca da estrela e ela fez toda a trupe vir me pegar depois da balada. Nesta noite, para alguns amigos em comum, houve uma conversa muito interessante no Twitter que acabou deixando algumas amigas preocupadas, mas estava tudo bem. :) Ela chegou com a caravana, mas eu ainda não tinha certeza se o encontro havia terminado. Eles partiram e eu fiquei.

"Mas, Ana, o que, afinal, aconteceu nessa noite?"

Deixei rolar.

Não se engane: as coisas não sairem como o esperado, não significa que elas falharam. Demorei para aprender que nem toda experiência precisa de um happy ending. Viver, simplesmente, e degustar um momento de satisfação, daqueles de verdade, que te deixam sem ar, vale muito mais que qualquer conclusão definitiva. Devemos agradecer por simplesmente termos sido felizes. :)

Permita-se. E viva o clichê! 

Até mais!

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2 comentários

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