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Dia 5: Cidade do México (México) - Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe

Written By Luciana Sabbag on quarta-feira, maio 30, 2018 | quarta-feira, maio 30, 2018

Dia 5: Cidade do México (México) - Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe

Na quarta-feira de manhã, saí do hotel lá pelas 8h da manhã e tomei o metrobus (Línea 1), da estação Plaza de La República até a estação Deportivo 18 de Marzo, um trajeto de aproximadamente meia hora.


Quando cheguei à estação final, perguntei a uma senhora onde fica o Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe e ela me explicou que eu poderia tomar o metrobus da Línea 6, na mesma estação (Deportivo 18 de Marzo) e descer na La Villa. Como era apenas uma estação, eu poderia ir a pé. E preferi assim, afinal, eu gostaria mesmo é de ter feito uma peregrinação para chegar à Basílica.

Assim que passei a entrada principal do santuário, comecei a chorar. Fiquei toda arrepiada e a emoção tomou conta de mim. Sou devota de Nossa Senhora de Guadalupe desde criança e sua história (que eu conto ao final deste post) sempre me encantou.

Um segurança muito gentil que estava no portão me viu e perguntou se era a minha primeira vez ali. Eu disse que sim e ele me explicou o que eu encontraria no santuário.

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Liguei para a minha avó, que é super católica, e fiz um facetime para entrar na Basílica e ter o primeiro contato com a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe junto com ela.

A Basílica de Santa María de Guadalupe


A Basílica de Santa María de Guadalupe, ou La Nueva Basílica de Guadalupe, é o templo mais importante do santuário desde 1976. É lá onde está a tilma (o manto) de São Juan Diego, na qual se encontra a imagem da Santíssima Virgem de Guadalupe.

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A imagem sagrada apareceu misteriosamente no manto do índio Juan Diego, em 1531. Ninguém até agora conseguiu provar que não foi milagre. Não há, no manto, qualquer técnica de pintura, qualquer pincelada… e o manto, pelo tipo de tecido, deveria ter se deteriorado em no máximo 20 anos (mas está intacto até hoje!).

Dia 5: Cidade do México (México) - Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe
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Depois de me encontrar com a imagem sagrada, subi pela escadaria (eterna) do Monte de Tepeyac, onde Nossa Senhora apareceu para São Juan Diego. 

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Capilla de San Miguel


A Capela de São Miguel, ou Capilla en lo alto del Cerrito del Tepeyac, é um templo de especial relevância e carinho porque foi ao redor dessa igreja que a Virgem de Guadalupe se encontrou pela primeira vez com Juan Diego e brotaram as rodas que o índia levou ao Frei Juan de Zumárraga como sinal.

Dia 5: Cidade do México (México) - Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe
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Do alto do Monte Tepeyac, onde fica a igreja, dá pra ter uma vista maravilhosa do santuário e da Cidade do México. 

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Desci as escadas pelo outro lado e cheguei aos jardins do Parque de la Ofrenda.

Parque de la Ofrenda


O Parque da Oferenda é um conjunto de jardins e fontes lindíssimos, com imagens dos santos e  dos personagens que fizeram parte da história de Nossa Senhora de Guadalupe.

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Mercado Hidalgo


Atrás dos jardins há um tipo de feira, com diversas lojinhas/barracas de souvenir e comida caseira. Dei uma passada por lá e acabei comprando a maioria das lembrancinhas que eu queria ali mesmo (terços, chaveiros e medalhas). Achei o preço bem bacana e a garota que me atendeu, a Carla, foi extremamente gentil. Conversamos sobre nossas culturas e ela me deu um chaveirinho de presente. Fofa! E nessas lojinhas eles gravam nomes nas peças de graça. A Carla gravou o da minha avó em um chaveiro com a imagem de Nossa Senhora.

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Saí da feirinha, voltei à parte interna do santuário e fui à Capilla del Pocito.

Capilla del Pocito


A Capilla del Pocito tem esse nome por causa do poço que está em seu interior. É uma capela encantadora, que conserva as belezas barrocas de 1777.

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Um pouquinho adiante da Capilla del Pocito está a Ex-Parroquia de Indios.

Ex-Parroquia de Indios


A Ex-Parroquia de Indios, ou Parroquia Antigua de Indios, é o templo mais antigo do santuário. Em seu interior ainda se podem observar os cimentos da primeira ermita dedicada à Virgem e que, em 26 de dezembro de 1531 recebeu a imagem (poucos dias depois de sua aparição). Foi lá que viveu Juan Diego, até sua morte, em 1548.

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Capilla de Juramentos


Entrei, então, na Capilla de Juramentos...

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Parroquia de Santa María de Guadalupe "Capuchinas"

E dei uma expiada na Parroquia de Santa María de Guadalupe "Capuchinas", que foi um convento do século XVIII, fundado por Sor Mariana de San Juan Nepomuceno, para as religiosas da ordem capuchina.

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Templo Expiatorio a Cristo Rey – Antiga Basílica de Guadalupe


A primeira coisa que a gente repara quando olha para a Antigua Basílica é que ela está afundando. Como contei neste outro post, a Cidade do México foi construída em cima do antigo lago Texcoco. Por isso, além de ter um solo nada firme, a Cidade do México sofre com diversos terremotos – o que contribui para o afundamento de diversas edificações antigas (principalmente no Zócalo, o centro). Dizem que algumas partes da cidade afundam cerca de 15 centímetros por ano!

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A Basílica Velha começou a ser construída em 1695 e ficou pronta em 1709. Mas, por causa de seu afundamento, foi construída a Nova Basílica de Guadalupe, em 1974, ao lado. Depois que a nova ficou pronta, a antiga ficou fechada para reformas durante muitos anos até ser reaberta ao público.

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Museo Guadalupano


Depois de passar pela Antiga Basílica, fui visitar o Museu Guadalupano, que não é o Museu da Basílica. Eu achei que fosse o mesmo, mas há dois museus dentro do santuário: um que fica atrás da Basílica e outro que fica na Plaza Mariana.

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O Museo da Basílica está localizado aos fundos da Antiga Basílica, foi fundado em 1941 e possui cerca de 4000 objetos em seu acervo. Entre eles estão diversas obras de artes de artistas espanhóis e vários itens religiosos.

No Museo Guadalupano estava tendo uma exposição de inúmeras representações de Nossa Senhora de Gualaupe, dentre pinturas, esculturas e artesanatos.

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Mercado Villa Zona 34


Fui ao mercado que fica dentro do complexo do Santuário, onde comprei alguns docinhos típicos do México e provei gorditas de maíz, umas bolachinhas em formato de pizzinha, as coisas mais secas do universo. Não gostei, não! Hahaha

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Carillón


Bem no centro do santuário, está o campanário e relógio da Basílica. Fazem parte dele 19 sinos e quatro relógios – um astronômico, um solar, um asteca (em tamanho idêntico ao original) e um relógio comum.

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Às 10h, às 12h, às 14h e às 16h, o campanário apresenta a história das aparições de Nossa Senhora de Guadalupe com imagens que se movem dentro dele. É muito legal!

Calzada de Guadalupe


Saí do santuário para ver se, ao redor, as lembrancinhas poderiam ser mais baratas. Na frente do santuário, está a Calzada de Guadalupe, por onde chegam os peregrinos. É bem bonito ver o pessoal chegando, especialmente em procissão.

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Nessa rua há centenas de lojinhas de artigos religiosos. Mas achei tudo bem parecido e com os mesmos preços. Comprei alguns terços e medalhas.

Voltei para dentro do santuário com minhas coisinhas para o bispo abençoá-las.

Dei uma última passada na frente da imagem da Virgem e parti. Já passava das 14h.

Além de todas essas "atrações", o santuário de Nossa Senhora de Guadalupe ainda possui mais algumas capelas menores, a Biblioteca "Lorenzo Boturini" (piso 5 do prédio administrativo da basílica), o Archivo Histórico, o Instituto Superior de Estudios Guadalupanos, um cemitério (onde estão sepultadas diversas personalidades importantes do México) e lojas de artigos religiosos.

Mesmo que você não seja católico, vá conhecer o santuário. É lindo, cheio de história e com uma atmosfera de fé contagiante!

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A história da aparição de Nossa Senhora de Guadalupe


Num sábado, no ano de 1531, a Virgem Santíssima apareceu a um indígena que, de seu lugarejo, caminhava para a cidade do México a fim de participar da catequese e da Santa Missa enquanto estava na colina de Tepeyac, perto da capital. Este índio convertido chamava-se Juan Diego (canonizado pelo Papa João Paulo II em 2002).

Nossa Senhora disse então a Juan Diego para que fosse até o Bispo, pedindo que naquele lugar fosse construído um santuário para a honra e glória de Deus.

O Bispo local, usando de prudência, pediu um sinal da Virgem ao indígena que, somente na terceira aparição, foi concedido. Foi quando Juan Diego estava indo buscar um sacerdote para o tio doente: “Escute, meu filho, não há nada que temer, não fique preocupado nem assustado; não tema esta doença, nem outro qualquer dissabor ou aflição. Não estou eu aqui, a seu lado? Eu sou a sua Mãe dadivosa. Acaso não o escolhi para mim e o tomei aos meus cuidados? Que deseja mais do que isto? Não permita que nada o aflija e o perturbe. Quanto à doença do seu tio, ela não é mortal. Eu lhe peço, acredite agora mesmo, porque ele já está curado. Filho querido, essas rosas são o sinal que você vai levar ao Bispo. Diga-lhe em meu nome que, nessas rosas, ele verá minha vontade e a cumprirá. Você é meu embaixador e merece a minha confiança. Quando chegar diante dele, desdobre a sua “tilma” (manto) e mostre-lhe o que carrega, porém, só em sua presença. Diga-lhe tudo o que viu e ouviu, nada omita…”

O Bispo viu não somente as rosas, mas o milagre da imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, pintada prodigiosamente no manto do humilde indígena. Ele levou o manto com a imagem da Virgem para a capela, e ali, em meio às lágrimas, pediu perdão a Nossa Senhora. Era o dia 12 de dezembro de 1531.

Uma linda confirmação deu-se quando Juan Diego fora visitar o seu tio, que sadio narrou: “Eu também a vi. Ela veio a esta casa e falou a mim. Disse-me também que desejava a construção de um templo na colina de Tepeyac e que sua imagem seria chamada de ‘Santa Maria de Guadalupe’, embora não tenha explicado o porquê”. Diante de tudo isso muitos se converteram e o Santuário foi construído.

O grande milagre de Nossa Senhora de Guadalupe é a sua própria imagem. O tecido, feito de cacto, não dura mais de 20 anos e este já dura mais de quatro séculos e meio. Durante 16 anos, a tela esteve totalmente desprotegida, sendo que a imagem nunca foi retocada e até hoje os peritos em pintura e química não encontraram na tela nenhum sinal de corrupção.

No ano de 1971, alguns peritos inadvertidamente deixaram cair ácido nítrico sobre toda a pintura. Pois nem a força de um ácido tão corrosivo estragou ou manchou a imagem. Com a invenção e ampliação da fotografia descobriu-se que, assim como a figura das pessoas com as quais falamos se reflete em nossos olhos, da mesma forma a figura de Juan Diego, do Bispo e do intérprete se refletiu e ficou gravada nos olhos do quadro de Nossa Senhora. Cientistas americanos chegaram à conclusão de que estas três figuras estampadas nos olhos de Nossa Senhora não são pintura, mas imagens gravadas nos olhos de uma pessoa viva.

Disse o Papa Bento XIV, em 1754: “Nela tudo é milagroso: uma Imagem que provém de flores colhidas num terreno totalmente estéril, no qual só podem crescer espinheiros… uma imagem estampada numa tela tão rala que através dela pode se enxergar o povo e a nave da Igreja… Deus não agiu assim com nenhuma outra nação”.

Coroada em 1875 durante o Pontificado de Leão XIII, Nossa Senhora de Guadalupe foi declarada “Padroeira de toda a América” pelo Papa Pio XII a 12 de outubro de 1945.

No dia 27 de janeiro de 1979, durante sua viagem apostólica ao México, o Papa João Paulo II visitou o Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe e consagrou à Mãe Santíssima toda a América Latina, da qual a Virgem de Guadalupe é Padroeira.

Basílica Nossa Senhora de Guadalupe
Endereço: Plaza de las Américas núm. 1
Col. Villa de Guadalupe, Delegación Gustavo A. Madero
C.P. 07050, México, D.F.
Telefone: 01(55) 5118 0500
Mais informações: Site oficial
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Sobre Luciana Sabbag

Jornalista, 34 anos, canceriana, chorona. Se emociona com tudo. Vive sem muito planejamento, mas com muitos planos.

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