Alemanha

Guia de turismo sem preconceito

quinta-feira, abril 26, 2012

Alvo fácil de críticas, o guia de turismo nem sempre é querido por todos. Figura encontrada, na maior parte das vezes, em tours de agências de turismo, este profissional pode sofrer preconteito de quem é o "viajadão" do mundo, aquele cara que torce o nariz na hora que escuta falar dele -- como eu mesma já fiz. Zero para mim. Não podemos generalizar nada, pois existem "guias e guias". 

Nota para a vida: os guias estarão em suas memória de viagens. Boas ou ruins.
No Brasil ou no exterior, profissionais muito bem preparados dão um show de conhecimento e carisma por aí. Por isso, já deixo aqui a primeira afirmação deste post: sim, guias de turismo podem ser muito legais e super úteis!

Há alguns anos, fui à Europa. Foi a minha primeira grande viagem sozinha para tão longe e eu me planejei muito mal, confesso. Com um guia embaixo do braço e noção zero sobre onde deveria ir, dei a sorte de bater o olho em um folheto assim que cheguei ao hostel, em Amsterdã, na Holanda. Vi que, diariamente, um guia buscava grupos no hostel duas vezes ao dia, às 11h e às 13h. Na manhã seguinte, esperei pelo guia que, pontualmente, veio nos buscar. Logo eu conto por aqui como foi essa viagem, mas nesse dia conheci a empresa Sandeman's New Europe, que oferece tour gratuitos. Sim, gratuitos!

Em Amsterdã, de toquinha, é o Jeff, um australiano hiperativo com sotaque carregadíssimo.
Atualmente, os caras atuam em 14 cidades da Europa e oferecem o tour na faixa. Os guias, que não têm salário, trabalham por gorjetas. O bacana é que a forma como eles atuam é igual em todos os países. Antes de começar o passeio, o guia perguntará se você quer fazer o tour em inglês ou espanhol. Ele explicará que o percurso todo será feito a pé e dará uma prévia sobre o que será visto. Ele falará, então, que trabalha por tips e ao final do tour, as pessoas podem ficar à vontade para darem a ele o valor que acharem justo. Até então, tudo bem. A gente nunca espera muito de um serviço gratuito, não é mesmo? 

Paguei a língua. O tour foi incrível e realmente o Sandeman's cumpre o que promete: uma experiência com alguém que, de fato, conhece a cidade. Não somente a história, mas detalhes que só alguém local poderá saber. 

A partir de Amsterdã, dou a primeira dica: um passeio guiado pode ser a chance de conhecer, de forma rápida e eficiente, todos os principais pontos turísticos de uma cidade pequena, como Amsterdã. Se você estiver sem tempo, mesmo que a cidade seja maior, o tour não deixará de passar pelos marcos mais importantes e indispensáveis de serem vistos. E não esqueça: se você quer muito ver algo, pergunte para o guia, antes de sair, se passarão por lá, para evitar frustrações.

Em Berlim, na Alemanha, tive uma experiência incrível com o Zach. Formado em história em Londres, ele é um apaixonado pela história alemã e estava lá para uma especialização na área. Caminhamos por Berlim durante cinco horas e, quando o tour terminou, ninguém acreditava no conteúdo que aquele menino tinha passado para o grupo. Como pode ver abaixo, a turma era grande. Não vi quem não deixasse, pelo menos, dez euros com ele no final. Faça as contas.

Abaixo, à direita, o Zach, em Berlim. Acho que nunca terei um guia de turismo como ele na vida!
Como os grupos nunca têm menos que dez pessoas, um tour guiado pode ser uma excelente oportunidade para fazer amizades. Com isso, deixo a minha segunda dica: interaja com o grupo. Você ficará com essas pessoas pelo menos três horas do seu dia e, em alguma momento, vai trocar um olhar com alguma delas. Por que não aproveitar para deixar a timidez de lado e arriscar um papo? Pelo menos, companhia para uma cerveja ao final do dia você terá. :) Se o problema for a língua, não se reprima. Olha só esse post, que legal.

Em Praga, na República Tcheca, cheguei no albergue perguntando se havia o tour por lá, já que as coisas em Praga não são tão fáceis de conseguir (depois eu conto). Sim, tinha! Na manhã seguinte fui até a Old Town Square e tratei de achar meu grupo. Eu estava meio de bode de Praga, não entendia nada do que as pessoas falavam, não achava uma bendita de uma placa em inglês e já estava para mandar às favas, quando olhei para o guia *luzes piscam* e ficou tudo bem, pois ele me deu várias dicas sobre a cidade. Passei ilesa por Praga e quero voltar. <3
 
Praga, definitivamente, me cativou pela beleza do lugar, das pessoas... dá pra perceber porquê, né?
Com esta (linda, forte, loir...ops) experiência, vem a terceira dica: um país como a República Tcheca, que tem muita herança de tempos de repressão ainda viva, pode ser um pouco confuso para quem chega e não conhece nada, principalmente a língua. O guia é uma ótima fonte de dicas para não pagar muito mico. Ele pode te ajudar a saber como se comportar, o que é gentil e o que não é, aquele pub que você não pode perder ou aquela rua que você deve evitar à noite.

Quando cheguei em Paris, na França, já sabia de todo o esquema. O tour parte da Place Saint-Michel  e o grupo se une naturalmente. Saímos por Paris enlouquecidamente, pois a cidade tem muita, mas muita (muita) coisa para se ver. É praticamente impossível fazer tudo com calma em um dia só e a pé. Durante o tour em Paris, tive a sorte de fazer amizade com a Jocelyn, uma escocesa que estava no mesmo albergue que eu. Praticando a dica número dois, ganhei uma amiga para a vida toda. :)

Em Paris, com uma amiga muito querida que fiz durante o tour, a Jocelyn, da Escócia.
A quarta dica é a seguinte: assim como aconteceu comigo em Paris, também acontecerá com você, caso escolha fazer um tour em qualquer grande cidade. Como são muitos lugares, o passeio se torna um pouco superficial. O que eu fiz foi guardar bem como chegar aos meus pontos preferidos, e fiz todos com calma e tranquilidade nos demais dias que fiquei em Paris. Calma, não precisa fazer tudo de novo, se é o que está pensando. Sem o guia, porém, você poderá entrar nos museus, nas igrejas, sentar para tomar um café em uma ruela depois de caminhar tranquilamente sem rumo e tudo mais que quiser. Na minha opinião, o custo-benefício de ter uma apresentação prévia de uma cidade é bem interessante. Ah, além disso, você poderá tirar aquela foto linda que não deu tempo porque o grupo já estava seguindo sem você.

Para tours como os do Sandeman's, não tem desculpa e a gorjeta é indispensável. Pode ser que você não vá se apaixonar como eu, mas coloque-se no lugar daquele jovem que vive na pindaíba e dê um trocado. Isso não vai te deixar mais pobre e ainda vai deixar o guia feliz. :) A gorjeta, assunto que também vou falar aqui em breve, pode ser considerada para qualquer guia que você adorar, no Brasil ou no exterior. É um incentivo e não ofende ninguém.

Mas nem tudo são flores. Minha experiência mais recente, nos Emirados Árabes, foi contada aqui, aqui e aqui, sem dó e sem censura, com todos os detalhes sobre o serviço da empresa Desert Safari Dubai. Passado o afã do momento, a poeira baixou e percebi que este pode ter sido um caso isolado, mas fica a dúvida a ser tirada até a próxima vez que eu visitar Dubai. 

Contudo, foi uma excelente oportunidade para perceber que um guia de turismo precisa ser universal, independente de onde ele seja ou onde trabalhe. Mais importante que a máxima de que o cliente tem sempre razão, em passeios turísticos, a lógica  que vale é a que somos todos diferentes e precisamos ser respeitados da mesma maneira. Essa relação vale entre prestador de serviço e cliente, e entre as pessoas que estão com você no grupo.

Tesouros que você descobre mais facilmente, quando conhecer melhor o lugar onde vai.
Usufruir de um passeio guiado pode não apenas ser legal, mas também ser mais uma oportunidade para ver o lugar para onde você for com outros olhos. Aprender nunca é demais, não é? :)

Até mais!

(*) Um leitor me alertou sobre o emprego errado do termo "guia turístico", que é, na verdade, um mapeamento sobre todos os detalhes de um lugar. O "guia de turismo" é a pessoa que nos ajuda a conhecer um local com mais detalhes


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